Tuesday, August 18, 2009

SOBRE FLÁVIO PRADO


PANACAS DO FUTEBOL BRASILEIRO - PARTE XIV


Flávio Prado, eventual jornalista esportivo paulistano, há muito afastado da grande mídia televisiva, diz que não gosta do Fluminense em seu programa de rádio (que, naturalmente, não é o líder de audiência da casa). Mais: diz que o lugar do Fluminense é na segunda divisão.

A democracia aí está. Até os panacas podem tirar proveito dela. Eu, que não pertenço a este enorme grupo formado no Brasil, com vasta influência de jornalistas e parajornalistas, também a aproveitarei.

Não gosto de Flávio Prado desde a primeira vez que me deparei com sua figura cabotina e prepotente no programa “Cartão Verde”, da TV Cultura, dotado daquele ar professoral injustificável – nem tinha idade para isso, para passar por um homem sabido e maduro do futebol. Nunca gostei. Suas opiniões sempre expressaram um fascismo enorme ao se comparar o “poderio” dos times de São Paulo sobre os do Rio, quando isso NÃO acontecia, ao contrário de hoje. Outra coisa que considero abominável no jornalismo esportivo é quando um profissional que vive do futebol diz não torcer para time nenhum – e isso, o FP sempre fez, beirando ao ridículo. Tempos depois, aumentando a carga de ridículo contida em sua torcida enrustida, passou a dizer que tinha se tornado torcedor do Milan: pelo visto, ainda por cima é pé-frio, pois o rubro-negro italiano despencou das conquistas a seguir.

Até aí, a coisa ia. FP era apenas mais um desses bobocas que ganham bem para falar do que não sabem, ou que nunca cobraram direito um escanteio. Em se tratando de Fluminense, aí é que não entende nada. O Tricolor das Laranjeiras fundou o futebol brasileiro, permitindo que gerações e gerações tirassem seu sustento do esporte – e, nessa, até o “Forza Milan” saiu ganhando, pois tem uma excelente salário para ejacular tolices. Ao dizer que o Fluminense deveria estar na segunda divisão, FP exacerba e mostra toda a sua ignorância oceânica sobre o futebol carioca, brasileiro e mundial. Sim, o Fluminense foi o primeiro time brasileiro campeão mundial de clubes. Ele, FP, é que se posiciona bem como um jornalista de segunda divisão. Terceira, talvez. E não poderia ter escolhido sua opção de “torcida” de maneira mais coerente: o Milan, em mais de uma vez, foi rebaixado por conta de falcatruas que gerenciou nos campeonatos italianos, algo bem parecido com o que vimos pelo cenário brasileiro em anos como os de 1996, 1997 e 2005. Será que Flávio Prado também não gosta de Mário Celso Petraglia e Alberto Dualibi? Ou também se esqueceu?

Eu gosto de Sandro Moreyra, João Saldanha, Aquilles Chirol, Jorge Nunes, Marcos Caetano, Paulo Vinicius Coelho, Rafael Marques, Nelson Rodrigues, Luiz Mendes, Doalcei Bueno de Carvalho, Juca Kfouri. É por isso que aprendi a não gostar de Flávio Prado.

Não entendam minhas linhas como raiva. Como Tricolor, tenho o direito de me manifestar. Apenas observações. Ia me esquecendo, é preciso citar o principal motivo que me faz crer que pessoas como Flávio Prado mereçam uma passagem de ida sem volta para o Afeganistão. Certa vez, em minha árdua busca como colecionador de CDs de música, deparei-me num supermercado com um grande balcão de promoções a R$ 1,99. Entre forrós, axés, pagódis e outras bizarrices, eis o que aparece: “Hits – As melhores do Flávio Prado”.

Ser apedeuta em futebol, ainda vá. Mas querer indicar música para os outros já é demais.

Comprei um disco do Ronaldo e os Impedidos.

Flávio Prado não merecia dois reais. Nem merece.


Paulo-Roberto Andel, 18/08/2009

Thursday, August 06, 2009

ATLÉTICO-PR 1 X 0 FLUMINENSE

Debaixo da noite turva (04/08/2009)

Há uma noite que tem cercado o céu do Fluminense. É uma noite longa e turva.

Mais uma vez, fomos derrotados na rodada de domingo passado; desta vez, de forma inconteste e, sem dúvida, em nossa pior apresentação no ano – como se já não bastasse um rol de outras péssimas performances.

Desta vez, um golpe terrível. A lona. O fundo do poço. A humilhação da última colocação no campeonato. Chegamos ao limite do que há de pior. E nada pode ser salvo do jogo contra o Atlético do Paraná: foi uma partida péssima, sem caber a desculpa do também péssimo gramado e da chuva. Praticamente não chutamos a gol, e nossas maiores oportunidades aconteceram a cinco minutos do fim da partida, sob total desespero, o que resume a situação. Se ainda é possível tirar algo de bom deste jogo no Paraná, disputado no Estádio do Café por conta da perda do mando de campo pelos atleticanos, pode-se dizer da boa entrada do jovem goleiro Rafael, que se mostrou seguro nas poucas intervenções que fez em campo. Não evitou o gol, em razoável cobrança de falta executada pelo veterano Paulo Baier, porque ainda não havia entrado em jogo: o titular, impedido de movimentos capoeiristas numa bola mais ao alto, mais uma vez tomou um gol de falta em seu lado direito. Longe de culpá-lo pelo gol ou pela derrota; a culpa que lhe cabe é da situação como um todo. E de quem o escala, naturalmente. Sem contar o fato de ainda ficar quase dez minutos em campo sem condições, por sua teimosia que irrita o torcedor mais tranqüilo. Trata-se de um outro mundo, irreal; ficar em campo sem condição de estar em pé, priorizar defesas no gol com os pés. E este não é o mundo do Fluminense – ao menos, não deveria ser.

O fato é que em raras vezes eu assisti um jogo tão ruim do nosso Tricolor. Em outras épocas, nada boas, mas predecessoras de glórias, vi uma derrota para o CSA, de Alagoas, no Maracanã, com dois gols de Marciano. Outra, uma goleada de quatro a zero para o Campo Grande. Outra, a virada da Portuguesa da Ilha no Maracanã, com dois gols de Rico. O terrível primeiro tempo de 1998, contra o ABC. Desta vez, a coisa chegou ao mais extremo possível do que se pode tolerar. Não havia a menor possibilidade de se ganhar o jogo enquanto havia empate; com o gol de Baier, a virada tornou-se impossível. Um verdadeiro bando, atarantado em campo, sem as menores noções de posicionamento, deslocamento, marcação e, para piorar, com a insistência de se tocar – mal – a bola em um gramado esburacado e enlameado. E, claro, de nada adianta mandar a campo uma jovem promessa como Alan se o time está completamente desestruturado. Imagino qual deve ter sido o rol de instruções no intervalo, para que o time voltasse tão mal ou até pior do que na segunda etapa. Desnecessário dizer dos oito minutos finais, quando tínhamos mais um em campo; na atual situação, isso não diz qualquer diferença ou vantagem. Mais uma vez, fica claro que o problema não estava sendo criado por Parreira.

O que se tirar de uma derrota que nos coloca na última posição do campeonato brasileiro?

Lembrar Francisco Horta: “Vencer ou vencer”.

Não nos resta outra alternativa.
Hoje, a três rodadas do fim do primeiro turno, o Fluminense tem uma pontuação equivalente a de times que foram rebaixados, em anos anteriores, muito antes do final da competição.

É preciso colocar o coração na ponta das chuteiras. Temos dois jogos em casa ainda nessa primeira fase. E simplesmente não se pode perder pontos.

No passado, os Tricolores se sentiram tão indignados que, por conta de jornadas horrorosas, até se afastaram do Maracanã. Era compreensível, mas não é a solução. Um time sem torcida é um corpo sem coração. Não se pode deixar que o time morra à míngua, mesmo com sua fraqueza atual. E é bem difícil acreditar que, com o atual stablhishment das Laranjeiras, espetaculares mudanças trarão de volta o Fluminense vencedor de anos passados. Hoje, neste momento, o Tricolor tem um único amigo, coletivo, que lhe pode ajudar a reviver: sua enorme, apaixonada e coerente torcida.

Quantas vezes a nossa voz das arquibancadas não gritou por um gol de uma virada impossível, ou de um título quase perdido que retomamos com braço forte?

Empresários gananciosos, dirigentes ineptos e jogadores de enorme carência técnica passarão. Mas a torcida, meus amigos, ela é eterna: vai até a morte e, de acordo com meus amigos, depois dela!

Teremos na quinta-feira um jogo que pode decidir nossa vida, contra o Sport, adversário direto na luta contra o rebaixamento, no Maracanã. Todo Tricolor de bem que tenha possibilidades deve comparecer ao estádio. Quem não puder, que faça sua corrente positiva na televisão ou no rádio. Mas é preciso que toda a nossa torcida volte seu pensamento para o Maracanã. Precisamos vencer de qualquer forma. Não podemos ser derrotados pela mediocridade e pela incompetência dos que levaram o Fluminense ao caos onde se encontra.

No passado, tivemos ótimos times que a imprensa, tendenciosa, tratava por “timinhos”. Também tivemos times geniais que poucos reconheceram. Hoje, nosso time é um carro antigo, defeituoso, errático. Emperrado.

Cabe a nós empurrá-lo.

Para a frente.

Para trás, já temos milhões de agourentos a trabalhar.

Temos um time destroçado. Mas nossa torcida é genial. Ela pode ainda modificar este gravíssimo quadro.



Paulo-Roberto Andel, 04/08/2009

Friday, July 31, 2009

PALMEIRAS 1 X 0 FLUMINENSE

Trocando as mãos pelos pés (30/07/2009)

A crise é uma realidade e a posição na tabela, desastrosa. O Tricolor padece lentamente, e precisa de reação imediata, difícil de ser vista a olho nu. Estivemos em campo ontem, contra o Palmeiras no Parque Antarctica. Mais uma derrota. Mais um revés. Contudo, o jogo não foi traduzido plenamente por seu placar final, e foi decidido basicamente em pequenos detalhes. E ao se trocar as mãos pelos pés, ao contrário do ditado popular.

Tivemos pela frente um gramado pesadíssimo por conta da chuva, além de uma equipe aplicada taticamente, não à toa no topo da tabela. E, com a chuva, é natural que os times tentem explorar a surpresa dos chutes de longe. Tivemos duas ou três chances, o Palmeiras também. Mesmo sendo uma equipe melhor do que a nossa hoje, não nos esmagou. O jogo esteve igual. E para nos, poderia ter até sido melhor se Kieza, nosso solitário atacante, tivesse com quem ao menos trocar um passe. Poderíamos até ter chegado ao gol com eficiência. Entendo a necessidade de marcação e defesa, mas seis jogadores no meio de campo resultam na nulidade do ataque – e, como somos os piores marcadores de gols do campeonato, parece evidente que esta é uma característica que precisa ser modificada. Quero destacar uma excelente finalização de Marquinho, de fora da área, no canto esquerdo baixo do goleiro pentacampeão Marcos, que fez grande esforço para colocar a bola para escanteio – desde os melhores momentos de Thiago Neves, o Fluminense tem dificuldade para dar chutes perigosos de fora da área adversária. Este, o do Marquinho, foi o momento mais perigoso do primeiro tempo. Não houve outras grandes emoções até ali, a rigor; entretanto, parecia até um sinal positivo para nós: estávamos equilibrando a peleja contra um dos times da liderança da competição. Foi um zero a zero justo; também o seria, com um gol para cada time. O charco estava superado pela metade.

Mais surpreendente ainda foi até a melhora das equipes na segunda etapa. Os times voltaram mais velozes, ao contrário do que se espera numa partida chuvosa, e isso certamente causou mais atenção aos expectadores, tanto no Parque Antarctica quanto em todo o Brasil, pela televisão.

E o Fluminense parecia crescer, meus amigos.

E, do seu jeito, com vontade e raça, finalizou uma, duas três vezes. Kieza deu um chute tão perigoso que Marcos deu um daqueles saltos como se fosse na Copa de 2002 – a bola passou a centímetros da trave esquerda. Contrariando todas as previsões, o Fluminense poderia até arriscar certa superioridade na partida. Mas era um engano crasso.

Houve um contra-ataque e nosso ex-jogador Diego Souza entrou livre pela esquerda de nossa defesa, fato praticamente habitual na situação de agora. Deu um bom chute, relativamente forte, mas nada que não pudesse ser evitado com uma boa defesa de nosso goleiro. E aí mora o problema, caros amigos: há tempos, com idas e vindas, não temos propriamente um goleiro debaixo das traves, mas um beque-equipe, tal como nas velhas peladas de rua dos anos sessenta e setenta. Um zagueiro que joga de luvas. Assim sendo, Fernando, em mais uma exótica performance, em vez de se esticar para buscar a bola, resolveu defendê-la com o pé direito. E o resultado, tal como em muitas e muitas outras vezes, foi o gol adversário. O Palmeiras abriu o marcador e o jogo encerrou ali mesmo; ainda faltava meia hora para o término da partida, uma enormidade, mas o revés sofrido justamente depois de o time mostrar melhora, ainda mais num gol evitável, acabou com a equipe. A seguir, as inócuas entradas de João Paulo e Maurício, num time já combalido fisicamente e com o peso do gramado.

Fomos trucidados por nós mesmos. Quando o time está bem, meio e defesa resolvem tudo; quando está mal, é o goleiro que tem que aparecer. E, mal como agora, não podemos contar com um goleiro que insiste em trocar as mãos pelos pés como se isso representasse uma vantagem técnica, jamais vista em oitenta anos de futebol profissional no Brasil. Ou pelo mundo.

Nada tenho contra a figura pessoal do goleiro Fernando, e nem o vejo como o único culpado pela atual situação do Fluminense. Mas, num momento como esse, é fundamental que o time possa se reerguer tendo a figura de um bom goleiro, com maturidade, que saiba reconhecer suas falhas e que trabalhe para saná-las. Além do mais, o estilo de jogo baseado no futebol de salão não é compatível com o de campo, cujas dimensões em todos os aspectos são muito maiores. É hora de se repensar isso. Boa parte da torcida, nos jogos também pensa o mesmo. E o que dizer da volta de Fernando, parado há mais de um mês por decreto? Ricardo Berna, nos últimos tempos, dava muito mais tranqüilidade à equipe.

A agonia continua. Não se pode negar que, dentro do quadro pavoroso da tabela atual, o time apresentou uma postura mais combativa nos últimos jogos. Mas isto é pouco: em 1996, não faltava raça e o rebaixamento aconteceu. Precisamos pontuar. E não podemos tomar gols com tentativas de defesas exóticas.

Nelson Rodrigues, com suas frases eternas disse “Se quiseres antever o futuro do Fluminense, olhai para o seu passado”. E o passado glorioso dos goleiros de Álvaro Chaves não foi escrito com os pés, mas sim com as mãos.

Paulo-Roberto Andel, 30/07/2009

Wednesday, July 29, 2009

FLUMINENSE 1 X 1 CRUZEIRO

Fagulha na tempestade (26/07/2009)


A agonia do Fluminense persiste. É um momento de muita dificuldade e tristeza para todos nós, na atual campanha que tem todas as matizes da vergonha. Apesar de tudo, desta vez o Fluminense não perdeu, se é que o empate dentro de casa, contra um time que tinha um jogador a menos, pode ser considerado um bom resultado. Claro que nosso adversário, o Cruzeiro, é um time de enorme valor e respeito. Contudo, um time que pretende se afastar da desagradável zona de rebaixamento do campeonato brasileiro não pode se limitar a empates em casa.

Desde minha última crônica, sobre a nossa derrota para o Internacional no Beira-Rio, eis que o Fluminense sofreu outras duas derrotas. Uma, sábado passado, acachapante, para o Goiás, numa goleada construída em menos de trinta minutos, no segundo tempo, e de virada. Foi o resultado que sacramentou a dispensa do jovem treinador Eutrópio, numa experiência precipitada e que claramente não surtiria efeitos. Em seguida, o Portaluppi de volta, com a bênção do patrocinador do clube, cada vez mais dotado dos poderes presidenciais em Álvaro Chaves. Portaluppi é nosso eterno herói em campo, é um campeão do Centenário e decidiu o maior Fla-Flu da história do Maracanã. Tem algum valor em sua nova profissão; já nos levou a um grande triunfo. Mas... seria o nome apropriado para ajustar o time atual do Fluminense? Se o experiente e competentíssimo Carlos Alberto Parreira, nome certo no pantheon de glórias das Laranjeiras, não conseguiu, seria certo o nome de Portaluppi? Nós, torcedores, esperamos que sim. Ainda.

Então o novo treinador estreou contra o Atlético Mineiro, no Mineirão, na quarta-passada. Podemos dizer que o time apresentou mais raça e velocidade. A parte negativa veio com a contusão de Fred e, a meu ver, com a equivocada barracão do goleiro Ricardo Berna. Fernando, de volta, mostrou o velho repertório de jogadas com os pés, tal qual um capoeirista. Entretanto, a força de um goleiro está nas mãos, na saída do gol, no fechar de ângulos e, mais uma vez, fomos comprometidos por uma falha sua, no primeiro gol dos mineiros, quando a partida parecia equilibrada e qualquer um dos times poderia estar à frente. Logo, o Atlético fez o segundo; descontamos no final, mas isso foi pouco para a reação. Mais uma derrota. O problema não estava em Parreira e nem em Berna. Mais uma derrota e, mais uma vez, a péssima situação saltando aos olhos.

Quero falar da força de nossa torcida. Sei que somos gigantes, mas me surpreendeu ver treze mil Tricolores no Maracanã, num frio começo de noite de domingo. Outra situação também foi muito triste: a perda de Cléber. Sim, Cléber, o armador de um time simplesmente conhecido com Máquina. Tempos em que as jovens promessas do Fluminense eram Pintinho, Cléber, Mário, Zezé, Delei. Os tempos são outros. Guardarei toda minha saudade.

Falarei do jogo contra o Cruzeiro. Na primeira meia hora de partida, tivemos as nossas chances. O esquema 3-6-1 não ofereceu nenhuma melhora para o futebol da equipe, ressalte-se. Mas Conca e Kiesa, em jogadas distintas, poderiam ter aberto o marcador. Não que fôssemos melhores em campo, com a pobreza criativa que temos sofrido, mas um gol teria sido normal. Para variar, não fizemos; em sua primeira boa oportunidade, o Cruzeiro entrou tabelando como quis, Henrique apareceu livre na frente do gol e inaugurou o marcador, com a bola rasteira no meio da meta. E, claro, a partir de então, o primeiro tempo foi marcado pela apatia, pelo desânimo e pelo mal-estar típicos de quem vem de uma enorme seqüência de fracassos. Felizmente, o placar não se dilatou.

Começamos a segunda etapa com sorte. Dieguinho, que entrara na vaga de João Paulo, cruzou e Kiesa empatou, chutando forte no canto direito de Fábio. Era o primeiro minuto e, para um time em boa fase, seria certamente um chamariz para a virada. Não é o nosso caso de hoje. O Fluminense até atacou, tentou algumas jogadas, mas a frouxidão ainda maior da nossa marcação, agravada pela saída de Fabinho, permitiu ao Cruzeiro um sem-par de oportunidades claras – algumas, chutadas para fora; outras, nos pés capoeiristas de Fernando. E o maior agravante foi que tivemos meia hora em campo com o Cruzeiro tendo apenas dez jogadores: Leonardo tinha sido expulso aos dezesseis minutos. Repetindo uma estranha sina que já vem de longas jornadas, o Tricolor é que passou a ser dominado e pressionado, como se nós é que estivéssemos numericamente inferiores nas quatro linhas. E ainda fomos salvos pelo travessão, depois de uma finalização de Jonathan. Nos sobrou ainda um último lance, com Kiesa, mas o jovem atacante, embora veloz, ainda não mostrou se é um bom finalizador. Perdemos mais um gol. Conquistamos um ponto. E a agonia continua.

Na próxima quarta, tarefa das mais difíceis. Sem Fred, sem outros jogadores, temos pela frente o poderoso Palmeiras de Muricy em sua casa, o Parque Antarctica. Nunca foi tão difícil esperar uma vitória nossa, mas não temos outra alternativa: é torcer dia e noite, sol e chuva para sair da má situação em que estamos. Qualquer ponto nos interessa, qualquer ponto é glória e salvação, mesmo que, por um momento, pareça apenas uma fagulha em plena tempestade.


Paulo-Roberto Andel, 27/07/2009

Friday, July 17, 2009

INTERNACIONAL 4 X 2 FLUMINENSE

Queda livre (16/07/2009)

Quando encerrei minha crônica no domingo, depois da catastrófica derrota do Fluminense para o Santo André, no Engenhão, imaginei que momentos difíceis estariam por vir. Afinal, a famigerada zona de rebaixamento se tornara uma realidade; além disso, Parreira tentara tudo o que podia para reverter a situação em campo, mas a atuação do Tricolor foi abaixo da crítica. Qual o resultado? Simples: demitiram Parreira.

Em futebol, a pressão é muito grande e o que garante a permanência de um treinador é a sua performance. Se, no momento, o padrão do Fluminense era ruim, qualquer torcedor, com razoabilidade mínima, sabe que o problema não estava exclusivamente com Parreira. Acusam-no de ser frio e “sem alma”. Bom, e quando ganhou títulos e títulos nos anos setenta e oitenta, era também? Logo, os argumentos não se sustentam. Mais ainda, se demitir um ídolo do clube é imprescindível, porque não ter alguns cuidados? Por que não preservar nossa história? Mais uma vez, os homens das Laranjeiras andaram de costas para a memória do Fluminense. E a solução adotada foi a efetivação do auxiliar Eutrópio como treinador. Não quero aqui crucificar o jovem profissional, mas entendo que o Fluminense não pode ser vir de laboratório para iniciantes, ainda mais num momento de crise profunda como agora – onde não cabia uma experiência como,por exemplo, a de Ruy, o Cabeção, recém-chegado à nossa casa, se transformar no camisa dez do time e coordenador das jogadas.

Então, sem Parreira e com o time em frangalhos, fracassando em aspectos individuais, o Fluminense voltou a campo para enfrentar o Internacional de Porto Alegre no Beira-Rio. Em síntese, uma parada duríssima para qualquer time em boa fase, quanto mais para nós. Mais uma vez, fomos atropelados de saída; mais uma vez, reagimos; mais uma vez, o adversário nos atropelou vigorosamente e fomos goleados. A culpa tem muitos sócios neste caso; não se trata de um monopólio de Parreira.

O primeiro tempo foi uma reprise do jogo de semana passada, contra o Corinthians; também reprise do outro jogo contra o Parque São Jorge, no Maracanã, pela Copa do Brasil; mais ainda, reprise do primeiro tempo contra a Gávea, pela Copa Rio. Um atropelo sem apelação. Os colorados fizeram dois gols e poderiam ter feito muito mais. No primeiro, depois da bola parada na esquerda do ataque, contaram com a apatia de nossa defesa, parada e receptiva: quatro jogadores do Inter assediaram Ricardo Berna quando o zagueiro Sorondo cabeceou para inaugurar o placar. Pouco tempo depois, um belíssimo gol de Andrezinho, encobrindo o adiantado Berna, aumentou o marcador. Os saudosos do goleiro-que-defende-com-os-pés vociferaram. Uma sonora bobagem. Berna tem sido obrigado a jogar mais adiantado justamente pelo caos estabelecido em nossa defesa; a todo instante, se coloca para sair com os pés. Andrezinho percebeu antes e fez um lindo tento.

Entre os gols, a verdadeira ducha de água fria no Fluminense. A expulsão de Fred, num lance bobo com o sempre violento Magrão, numa disputa que em o cartão amarelo seria suficiente. O exagero do árbitro Roman naturalmente custou muito mais caro a nós: Fred é infinitamente superior a Magrão. Prejuízo no bolso, descemos para o vestiário com mais uma derrota na cachola.

No segundo tempo, com o resultado na mão, o Inter naturalmente relaxou. É o que normalmente acontece em situações assim. Só que relaxou demais e, em um minuto o Fluminense empatou o jogo. Aos vinte e sete, uma bela conclusão de Ruy, encobrindo Lauro após uma falha na saída de gol, acertando o ângulo esquerdo. Vinte e oito, cabeçada rara de Conca, no canto direito, de cima para baixo. Apesar das alterações, com resultado quase inócuo, o Fluminense chegou à igualdade mais pela raça e vontade do que propriamente por qualquer evolução, seja de ordem tática ou técnica.

Seria honroso o empate, caso consolidado. Uma virada traria um outro astral ao Fluminense. Porém, mesmo com vários volantes, sabemos que, de nossa intermediária para trás, tudo é frágil, tênue; os adversários têm dominado as partidas e feito os gols como bem querem. Mal segurava a igualdade em dois, e sofremos o terceiro gol em belo chute do jovem Taison – chute muito bem dado, mas incentivado pela facilidade em avançar livre no nosso campo. A bola no canto direito baixo de Berna, que nada pode fazer. O jogo estava decidido.

Ainda houve tempo para mais um gol, que certamente é uma demonstração da nossa atual situação: o ataque gaúcho entrando livre para esquerda até Taison, novamente, tocar para o gol vazio e sem marcação.

Mais uma vez, uma goleada contra nós.

Temos perdido por conta do treinador ou por conta das nossas gritantes falhas individuais?

Nosso time é realmente bom ou apenas um arremedo do que a imprensa escreveu no começo do ano?

Nossa luta é para uma plena recuperação ou contra a dramática zona de rebaixamento?

Mais um capítulo da novela no próximo sábado, no frio início de noite, contra o Goiás.

E que novela!

Paulo-Roberto Andel, 16/07/2009

Wednesday, July 15, 2009

FLUMINENSE 0 X 1 SANTO ANDRÉ

Uma noite para esquecer (12/07/2009)

No frio início da noite de domingo, o Fluminense voltou a campo pelo campeonato brasileiro, no Engenhão, para enfrentar o time do Santo André. O que poderia ser uma partida comum, tomou ares de vida ou morte: àquela altura, o Tricolor já estava na famigerada zona de rebaixamento, de modo que a vitória tinha se tornado uma obrigação para escapar da incômoda situação. Tudo depois de uma seqüência de vários maus resultados.

Logo no começo do jogo, na primeira jogada dentro de nossa área, uma intervenção desastrosa de Wellington Monteiro tomou o fundo de nossas redes. Um gol contra. A partir de então, o time do Fluminense mergulhou num completo desacerto. Buscava ataque, pressionava, mas errava nos toques cruciais, de modo que a pressão se tornava inócua. É certo que a ala direita teve alguma evolução, com a estréia do veterano lateral Ruy, o Cabeção. Contudo, foi pouco para um domínio efetivo das ações na partida.

Com a outra camisa, o maior perigo à nossa meta ficava por conta de outro veterano: Marcelinho Carioca. Aliás, provado que idade e condição física podem se alinhar nos veteranos, estava presente em campo o jogador mais velho em atividade no campeonato da série A, pelo menos: o volante Fernando, que parecia correr mais do que vários jovens de vinte e poucos anos em campo.

Nas arquibancadas, era natural a insatisfação de nossos cinco mil torcedores. Apupos a todo instante, com ênfase especial para a dupla Wellington-Edcarlos. O zagueiro da Bahia realmente não vem em boa fase, mas convém ressaltar que salvou um gol feito, tirando uma bola em cima da linha, após Ricardo Berna ter sido encoberto por Elvis. Enfim, o torcedor apóia, e até tem sido compreensivo demais. Só discordo dos xingamentos proferidos a respeito de Carlos Alberto Parreira. Trata-se de um símbolo eterno de nosso clube, e fica claro que, a cada rodada que passa, a irregularidade de nosso time está calcada nas falhas individuais: foi assim na partida decisiva contra o Flamengo, no campeonato estadual; o mesmo, nos jogos decisivos contra o Corinthians, pela Copa do Brasil; tem sido assim no atual certame como, por exemplo, na partida em casa contra o Santos. Claro que Parreira não conseguiu imprimir ao time do Fluminense a tradicional aplicação das equipes que dirige, e isso é um problema. Mas o fundamental está na questão individual. Por mais que o treinador trabalhe, não pode lhe caber a culpa se um volante chuta a bola contra seu próprio gol. Por outro lado, com muita gana e vontade, Conca é o espelho do que o time do Fluminense deveria ser. Com dez Concas em campo, não perderíamos nunca.

Até o fim do primeiro tempo, o panorama não se alterou. O Santo André, recuado, buscava eventualmente contra-ataques. O Fluminense dominava o jogo no campo adversário, mas não criava nenhuma jogada perigosa. Pela maneira como foi, a vitória dos celestes foi justa na primeira etapa.

E a nós, caberia descer para o vestiário com a pesada cruz, mesmo que temporária, da zona de rebaixamento. A velha e desagradável cruz que queremos eternamente distante de Álvaro Chaves.

O segundo tempo começou marcado pelo desespero que naturalmente nos cercava. Marquinho entrou, para dar mais vigor ofensivo. Não deu certo. Quem esteve novamente perto do gol foi o Santo André, em mais uma cobrança venenosíssima de falta de Marcelinho.

E então veio o abafa. Cruzamentos e cruzamentos, todos bem interceptados pelo bom goleiro Neneca. Parreira tentou de tudo: gritava à beira do granado, se exasperava, dava instruções. E mexia no time. Veio o menino Tartá, ausente há tempos e de quem a torcida muito espera. O menino reclamou de não estar sendo aproveitado; entretanto, quando teve a chance, pouco produziu.

Entre nervosismo, pressão, insatisfação, uma má performance em campo, evitar a derrota parecia impossível. O time tentava mais chuveirinhos e a partida terminou com o Fluminense todo no ataque, mas sem conseguir um chute perigoso sequer em toda a segunda metade da etapa final.

É um momento lamentável.

Há quatro rodadas, ocupávamos a sexta colocação. Agora, a zona de rebaixamento.

A bela torcida do Fluminense não merece isso. A trajetória de Carlos Alberto Parreira não merece isso. O futebol não merece.

Precisamos recolher os cacos. É um momento matematicamente grave, mas perfeitamente superável. Que os homens das Laranjeiras acertem seus caminhos, em prol do bem comum que é o Fluminense – o nosso amado Tricolor que não merece este revés.


Paulo-Roberto Andel, 13/07/2009

CORINTHIANS 4 X 2 FLUMINENSE

Aos pés do craque (08/07/2009)


Amigos, esta não tem sido uma temporada fácil para o Fluminense, definitivamente. Nosso jogo não tem encaixado; vivemos um tempo de enorme irregularidade e, no campeonato brasileiro, isso custa caro. Mais caro ainda quando se enfrenta um craque, e foi o caso de hoje: Ronaldo, com seu Corinthians ao lado. Foi um grande jogo, e nele tivemos de tudo: a possibilidade de tomar uma goleada acachapante; a reação gloriosa que quase nos leva a um empate heróico e, por fim, o golpe fatal imposto pelo maior artilheiro das copas do mundo. Perdemos e não estamos satisfeitos, mas fomos coadjuvantes de uma grande batalha.

Nas partidas realizadas recentemente entre o Tricolor e o alvinegro do Parque São Jorge, o equilíbrio foi muito grande. Pela Copa do Brasil, perdemos por um a zero no Pacaembu, onde o empate teria sido mais justo. E empatamos no jogo de volta, no Maracanã, quando aconteceu nossa desclassificação. Ronaldo teve seus lampejos de craque; bem marcado, no entanto, não marcou. Desta vez, foi muito diferente.

A partida foi a única disputada pela competição brasileira hoje, de modo que todo o Brasil deu-lhe atenção. E a fidalguia apresentada na entrega das faixas aos campeões da Copa, por nós feita, dava um sabor de fraternidade ao jogo que durou até o último apito de Heber, exceto pelo baixo calão do futebol de Christian.

Começou o jogo e vimos um Fluminense tocando a bola ofensivamente e com autoridade. Depois de atuações tíbias, a derrota no último momento para o Avaí e os empates zerados contra Flamengo e Grêmio, era hora de reação. E parecia que ia dar, pois o Tricolor tinha mais posse de bola, pressionava o campo de defesa do Corinthians e as finalizações aconteciam – Fred chegou a fazer um belo gol de cabeça, corretamente anulado por impedimento milimétrico, além de outras duas finalizações perto do gol. Éramos os senhores. Mas aí, meus amigos, o craque aparece – aparece e não deixa pedra sobre pedra. Então, na primeira bola em que entrou com liberdade no ataque, e ainda contado com a insistência de marcação em linha da zaga Tricolor, Ronaldo entrou e venceu Ricardo Berna com toda categoria, matando a bola no canto direito do nosso goleiro. O Corinthians abria o marcador e, pelos dez minutos seguintes, mesmo apresentando um bom futebol, o Fluminense foi vítima de um verdadeiro pandemônio. Veio o pior, e o medo de uma sonora goleada. Os mosqueteiros marcaram mais dois lindos gols. O segundo da série, para muitos, foi o gol mais bonito de todo o campeonato: uma linha de passe, com três toques de primeira, numa tabela começada por Ronaldo, que passou para Christian e este, para Dentinho finalizar novamente à direita de Berna. Uma jogada primorosa, que mostra como Christian poderia ser um jogador melhor ao priorizar a técnica em vez das botinadas, como o chute no peito de Diguinho. Um psicólogo também lhe faria bem. Volto ao jogo: o terceiro gol foi um Scotch 12 anos de Ronaldo: a velha arrancada pela esquerda, a matada na bola, o drible desconcertante em Edcarlos que desabou feito um sarapatel e a bola, mansa, pela terceira vez no canto direito de Berna. Era o três a zero e uma goleada assustadora. Incrível: jogávamos bem, ofensivamente, tocando a bola, perdendo gols e o Corinthians nos trucidava em ritmo de treino. O primeiro tempo terminou com o que poderia ser uma faísca de nossa reação: Leandro entrou livre pela direita, tinha grande chance de fazer o gol, mas o impedimento foi marcado erradamente.

Quando veio a segunda etapa, claramente o time do Corinthians sofreu a natural acomodação que acontece a todo time com grande vantagem no placar. O Fluminense, timidamente, se lançava ao ataque talvez em busca do gol de honra, talvez em busca de uma reação improvável. Parecia um rol de tentativas inócuas, até perto dos trinta minutos de jogo, quando Conca percebeu espaço no miolo corinthiano, arrancou com a bola sozinho sem passar aos companheiros teoricamente impedidos e, livre, fez um golaço, finalizando com violência na esquerda alta do goleiro Felipe. Um gol de força e raça, que serviu de lampejo para o Fluminense e mostrou ao Corinthians que era cedo demais para se administrar um resultado. De toda forma, reagir ainda era difícil. Parreira não hesitou: lançou o time inteiro de vez para a frente, fazendo três alterações e procurando mais velocidade. A posse de bola era nossa de novo.

Minutos depois, o menino Alan, talvez a mais provável consolidação das chamadas promessas de Xerém, que tinha acabado de entrar no jogo, invadiu com categoria pela esquerda do ataque, driblou Felipe secamente e fuzilou a meta. A bola bateu no zagueiro Diego e entrou. Era o segundo gol e a chance de reverter uma goleada terrível num resultado digno. Ali, a menos de quinze minutos do fim, novamente o Fluminense dava as cartas de vez na partida, sendo candidato ao terceiro tento.

Embora não tenha decidido o jogo com seu erro calamitoso, o árbitro Heber, que há muito tem uma enorme coincidência de erros nas partidas contra o Fluminense, praticamente selou a vitória do Parque São Jorge: numa falta clara em cima de Fred em cima da risca da grande área, mandou o jogo seguir. Fred, erradamente, carregou nos palavrões e foi expulso. Um erro de jogador que não se justifica, mas se explica: nosso jovem artilheiro não tem marcado os gols; acontece uma chance capital de empate numa infração, e o árbitro dá de ombros? Na hora em que poderíamos igualar as ações, fomos alijados por um erro cuja nascente foi a falha arbitral de Heber. E não é de hoje.

O craque, que nada tem a ver com isso, não perdoa: mata! Decide.

Houve um cruzamento da esquerda corinthiana e um chute. Berna espalmou. A bola cruzou toda a frente da defesa, sem que os zagueiros do Fluminense a espanassem. Ronaldo vem de frente para a bola. Olha a posição do goleiro. Bate de peito de pé, em curva, para tornar a defesa impossível, e acerta o ângulo esquerdo. Um golaço. Estávamos definitivamente derrotados.

Tivemos falhas, principalmente na defesa. Não podíamos levar os gols que levamos. Mesmo assim, quase chegamos a um empate sensacional. Tivemos posse de bola, atitude, ofensividade. O que deu errado?

Não venham culpar Parreira, nosso ídolo. A culpa é do craque. E, hoje, ao contrário do que costumeiramente foi um dia, ele não tem a nossa camisa. Está do outro lado. Não perdoa. Mata! E decidiu. Por isso é que, um dia, denominaram-no de Fenômeno.


Paulo-Roberto Andel, 08/07/2009

Wednesday, July 08, 2009

FLUMINENSE 0 X 0 FLAMENGO

Edinho, outra vez (28/06/2009)

E veio o Fla-Flu. O jogo que nunca termina – cada nova partida é, na verdade, um segundo dentro da eterna disputa entre a Gávea e as Laranjeiras.

Não foi das mais brilhantes a partida de ontem; tratou de um empate sem gols, com superioridade nossa na primeira etapa, e deles na segunda. Para ambos, a superioridade não significou um predomínio absoluto no tapete do Maracanã. Cada tive esteve melhor do que o outro em cada um dos tempos, mas longe da majestade que o Fla-Flu exige.

Poderia ter sido melhor se programassem direito. Os homens fora das quatro linhas insistem em sempre fazer o pior. Saibam que aqueles que chegaram no Maracanã antes da hora tiveram, por sorte, a chance de rever alguns dos maiores jogadores que o estádio já aplaudiu: Cláudio Adão, Edinho, Delei, Júnior, Paulo César Caju, Manfrini. Uma preliminar de masters, marcada justamente para o mesmo horário em que a seleção brasileira decidia a Copa das Confederações contra os Estados Unidos. E o Maracanã vazio, bem diferente dos tempos em que a turma, por qualquer coisa, atraía cem mil pagantes. Paulo Goulart no gol, recordando 1980. Os jovens puderam saber de quem se tratavam os jogadores veteranos. Um espetáculo bonito, que merece ser repetido e que também careceu de melhor divulgação. Quero falar de Edinho: se a velocidade já não é a mesma, pelas inevitáveis mazelas do tempo, revê-lo em campo me trouxe aos tempos de criança, carregado pela mão por meu pai. Edinho era o líder, o zagueiro das grandes arrancadas, que poderia usar tranqüilamente a camisa dez. Foi o grande herói da minha transição da infância para a adolescência. Muitos, como eu, se deleitaram ao rever aqueles grandes heróis do passado no gramado. Para outros muitos, a preliminar já bastaria como atração do dia.

Mas o Fla-Flu nunca morre, o Fla-Flu nunca termina. E um jogo crucial estava a caminho. Depois do empate em casa contra o Grêmio e da derrota dolorida para o Avaí, no último segundo, tendo o Gago como algoz, só restava ao Fluminense lutar pela vitória. Mesmo numa má fase como a nossa, vencer o grande clássico realimenta as energias. Além do mais, nossa incômoda posição na tabela exigiria uma resposta em campo. Os flamengos também não estão no melhor das pernas, e o jogo em seguida mostrou isso.

Houve um momento de grande comicidade nas arquibancadas, antes do jogo. A massa flamenga, sempre sedenta por tripudiar do grande rival, simulou um mosaico, que serviria de alusão à hegemonia rubro-negra no número de campeonatos estaduais, ainda que inflada por um tricampeonato em dois anos, fato sui generis no cenário futebolístico mundial. Sim, amigos, os flamengos esperaram quase cem anos para brindar o que consideram uma vitória, mesmo que fictícia. Pois bem, quando foi dada a ordem, a torcida das arquibancadas amarelas se levantou: aconteceu uma hecatombe! Por razões desconhecidas, o texto que nos atingiria como galhofa tornou-se um verdadeiro provérbio chinês – traços, pontos e figuras descontinuadas que não formavam palavra alguma. Houve risos por todo o estádio, e não somente do nosso lado da arquibancada – vazio, mas muito espirituoso.

Até então, era o Fla-Flu do sonho e da fantasia, da entrada mágica dos times em campo, da festa das cores, do nosso encontro com nosso eterno rival e tradicional vice. Aí, sim, começou o Fla-Flu da realidade. E a nossa realidade não é mais a de Delei ou Paulo César Caju, mas a da simplicidade do volante Fabinho. Foi um leão: com ele, embora a limitação do jogo de bola fique evidenciada, a raça e a disposição são impecáveis, e o meio-de-campo se tornou nosso. Outra boa surpresa foi a atuação do lateral João Paulo, que vinha titubeante, mas, desta vez, entrou com força total: foi quase um atacante, agrediu bastante a direita da defesa flamenga, fez bons cruzamentos e apareceu para o jogo. Thiago Neves, em seu jogo de despedida, até tentou arrancar e chamar o jogo para si, mas sem maiores resultados. Nosso conjunto, aguerrido, passou a maior parte do tempo no campo deles. Porém, como as finalizações eram escassas, foi em vão.

No segundo tempo, a superação do Flamengo e a relativa demora de Parreira em mexer numa equipe que sempre fica muito cansada viraram o jogo; eles foram melhores, estavam mais inteiros, mas como nós: sem o faro do gol. E ainda contamos com Berna, em excelente fase, com grandes defesas. Vacilou num lance, e quase tomamos o gol, é verdade. Mas só um lunático questionaria sua importante participação: com ele, perdemos o sentimento de agonia a cada vez que a bola é recuada; as saídas nos cruzamentos; a reposição de bola; a sobriedade. Mesmo com as mexidas nos times, o panorama não se alterou. Desnecessário dizer que os matadores ficaram longe da mira: Adriano, por sinal, teria perdido um dos gols mais feitos da história do Mário Filho, se não estivesse impedido no segundo tempo: debaixo do travessão, livre, recebeu cruzamento da direita e tocou para o gol vazio, com a bola passando a centímetros da trave direita.

Apesar do mau resultado em termos de classificação, o time ao menos mostrou alguma qualidade no primeiro tempo. Precisamos de pontos, sem dúvida, mas a melhoria de rendimento nas partidas é uma credencial para que deixemos a incômoda posição do fim de tabela.

Talvez se fale pouco desse Fla-Flu pelo que se viu em campo; todavia, mesmo que escassos e até involuntários, os momentos mágicos de ali estar para ver uma partida jamais são superados. É o jogo que nunca termina.

Revi Edinho em nossa quarta-zaga. E voltei ao passado de glórias e títulos. Pode ser uma promessa. Um bom presságio. Quando o presente não está a nos alegrar, o passado invade os semblantes e nos traz o melhor. Não existe Fla-Flu sem passado.

O sol nascerá.

Paulo-Roberto Andel, 29/06/2009



Friday, June 19, 2009

FLUMINENSE 1 X 0 BOTAFOGO (07/06/2009)


Outro último pecado (08/06/2009)

No domingo passado, o Fluminense deixou a vitória escorrer por entre os dedos na partida contra o Náutico, e muito lamentamos. Ontem, a sorte sorriu a nosso favor. No apagar das luzes, o Fluminense conquistou uma vitória importantíssima sobre seu rival tradicional, o Botafogo. E vitória conquistada com um golaço de Fred – o lance em si foi a perfeita tradução do que não correu em toda a partida. Não foi uma partida boa para nós; contudo, os Aflitos, jogamos razoavelmente e deixamos de vencer; ontem, não tivemos uma boa performance mas a importante vitória veio. É o vaivém do futebol.

No início da noite no Maracanã, um frio vigoroso e dois times em mau momento. A conseqüência foi um baixíssimo público para as tradições do clássico.E se, antes do jogo, vínhamos cercados por desconfiança assim como os alvinegros, quando a bola rolou a decepção foi grande. Um jogo de baixo nível técnico em sua primeira etapa, válido apenas por ser brigado, disputado, como manda a regra do Clássico Vovô.

Não houve grandes jogadas, grandes passes, a ameaça constante aos goleiros. O Botafogo, em pior fase, dada a colocação na tabela, tentava marcar o Fluminense por pressão. Nós cuidávamos da defesa, com a boa atuação de Cássio, que substituiu a Luiz Alberto. Na frente, o Neves sem a velha objetividade pouco fazia. No meio, Conca batalhava contra os passes errados. Em resumo, que conseguisse a vitória sairia aliviado; o derrotado despencaria na pontuação. Entre um caminho e outro, o que resultou na primeira etapa foi uma briga pelo meio-campo, lenta, arrastada. Um jogo enfadonho, pode-se dizer. Mas clássico é clássico. Ainda assim, não sei dizer de uma grande intervenção dos goleiros, um arremate fantástico ou uma jogada bonita. Houve burocracia. O empate em zero foi justo diante da mediocridade dos times.

Todo torcedor espera que seu time, após o intervalo de uma partida onde não venha atuando bem, consiga reverter a situação. Em nosso caso, temos um dos maiores treinadores da história. Mesmo com nosso querido Parreira, a coisa não mudou. Para não parecer ranzinza, feito os comentaristas que só saúdam o futebol de outras décadas, diria que ao menos os times voltaram para o segundo tempo com alguma intenção ofensiva, mesmo que ela parasse em más conclusões ou erros nos passes. Mas foi efêmero, uns cinco a dez minutos no começo do segundo tempo. E o que era frio, mais tarde piorou: veio a chuva.

Quando se chegou à metade do segundo tempo, tanto Parreira quanto Ney Franco começaram a substituir peças, na tentativa de mudar o panorama do mau clássico. No Fluminense, entraram Maurício e, depois de longo afastamento, Leandro. Quero dizer que simpatizo com Maurício; de vez em quando, faz um golaço, tal como contra o São Paulo este ano ou como contra a Gávea, ano passado. Teve boas atuações na Libertadores. É um jogador que ainda pode crescer. Mas, neste domingo, sua atuação foi catastrófica: nos vinte minutos em que esteve em campo, errou tudo o que tentou. Mais ou menos como a regularidade de João Paulo. Já Leandro foi diferente, nem parecia vir de um período de inatividade. Buscava o jogo e se deslocava, como tradicionalmente faz.

Na má atuação, no frio, na chuva e no Maracanã vazio, seria plausível que as torcidas imaginassem o fim do jogo com um zero a zero mofado, sem brilho. Pequenos apupos já ecoavam das arquibancadas. E tudo caminharia para isso mesmo, só que o mesmo fim de tempo que nos castigou semana passada foi generoso ontem: Leandro, da intermediária, deu um maravilhoso passe para Fred, livre; lançou a bola por cima dos zagueiros. O atacante, com sua habitual categoria, aplicou um lençol no bom goleiro Renan e tocou para o gol vazio, inaugurando o marcador e praticamente consolidando a vitória. Nossa torcida era pequena, mas vibrou com a grandeza da jogada: o passe, o lençol, a finalização mortífera. Vencemos. Desta vez, o último pecado foi de General Severiano.

Mais uma vez, nossa atuação ficou muito distante do almejado. Neves está indo embora, o Fluminense carece de uma liderança no meio de campo para articular o ataque e, em paralelo, dividir as tarefas com Conca. O problema da lateral-esquerda é crônico. Ao menos, no gol, melhoramos. A vitória era fundamental para deixar o time em situação confortável na tabela. Ainda assim, é pouco. O Fluminense não pode se contentar com o oitavo ou o sexto lugar. Menos mal que os três pontos vieram.


paulo-roberto andel


Thursday, June 18, 2009

NÁUTICO 1 X 1 FLUMINENSE (31/05/2009)

Diante do último pecado (01/06/2009)

Para os Tricolores, que vinham do desastre de semana passada contra o Santos, empatar fora de casa contra o Náutico não chegaria a ser um péssimo negócio – sabe-se que o alvi-rubro dos Aflitos será osso duro de roer para muitos outros times no campeonato brasileiro. O Fluminense mostrou um bom futebol em boa parte do jogo, dentro de suas limitações, mas não venceu. Num lance, num rompante, deixou a vitória escapar por entre os dedos da mão cerrada. Os três pontos não vieram, mas a atuação ao menos tirou a agonia da goleada do domingo anterior – se não foi um primor de técnica, pelo menos pela disposição.

E a técnica não poderia prevalecer pelo que se viu de cara: o péssimo gramado dos Aflitos, capaz de fazer o antigo campo de areia do Aterro do Flamengo parecer Wembley. Era o primeiro desafio. As duas equipes visivelmente sofreram um bocado com o mau estado do carpete de jogo.

Contrariando a lógica recente, o Fluminense começou a acertar de primeira: logo aos cinco minutos, ao receber excelente passe do estreante lateral Diogo, Fred invadiu a área pela direita do ataque e disparou um petardo na diagonal com êxito, vencendo o veterano goleiro Eduardo, com a bola entrando no canto direito. Parecia alívio. Todos sabíamos da dificuldade de se enfrentar o Náutico em casa e, abrindo o marcador imediatamente, era natural a empolgação. A partir de então, mesmo em desvantagem, o dono da casa não se abriu; nós, do nosso jeito, com relativa velocidade, mas muita dificuldade no toque de bola, íamos regularmente ao ataque. Ainda poderíamos ter aumentado o marcador, com a bola que o Neves chutou na trave. Não corremos maiores riscos e, quando o Náutico finalizou, Berna esteve sempre seguro. Sem maiores surpresas, correu a primeira etapa com nossa vantagem parcial obtida de início. Parecia bom sinal.

O futebol, como a mais importante das coisas desimportantes do mundo, merece toda a atenção em seu exercício. Não se pode vacilar. Há casos esporádicos em outros esportes, quando um time teoricamente mais fraco, bate o outro; no futebol, acontece a toda hora: Davia apedrejando Golias. Então, não é qualquer vantagem que garante nenhuma vitória para nenhum time de futebol. Viria a segunda etapa e o Náutico, ciente de que nada estava perdido, seria outro.

Começaram com tudo. Buscaram campo. Passaram a pressionar como normalmente fazem os times que jogam em casa. E veio uma cabeçada em nosso travessão, desferida por Asprilla – um susto. A seguir, defesas de Berna que causariam orgulho até em São Paulo Victor Barbosa de Carvalho. Há anos, não via uma atuação de goleiro tão boa com o manto consagrado por Marcos Carneiro de Mendonça. Defesas sem tremeliques ou afetações; rápida e eficaz reposição de bola; sobriedade. Desconfio de que, se Berna tivesse sido o goleiro no Fla-Flu de Juan, ou ainda contra o Corinthians, nosso destino poderia ter sido outro.

O Fluminense não se acovardou na segunda etapa. Apesar da reação do Náutico, nosso contra-ataque era ameaçador e tivemos uma grande chance não aproveitada por Fred. Beliscávamos. O time estava com ímpeto guerreiro. E se passou meia hora do segundo tempo. Daí, meus amigos, o Náutico veio com tudo. Queria a reação. Fez de nosso campo um verdadeiro desembarque na Normandia. Estávamos acossados. Mas o placar ainda era nosso. Berna era uma muralha: defendia absolutamente tudo e sem possibilidade de sobra ou rebotes. Mesmo que não estivéssemos num grande dia tecnicamente falando, a atuação estava mais do que razoável e a pontuação era fundamental.

Quando tudo parecia a salvo, e uma importante vitória fora de casa era conquistada, já no último minuto dos acréscimos do árbitro, Maicon estava na lateral-direita e errou uma jogada. Foi desarmado numa desatenção, e cometeu um pênalti quando o árbitro já encostava os lábios no apito. A marcação foi inevitável. Nos ajoelhamos diante de nosso último pecado. Ainda cogitei que, da maneira como tinha atuado toda a partida, Berna pudesse pegar a cobrança. Não foi possível, e desperdiçamos dois pontos no último toque na bola.

Uma inspeção visual fria sobre nosso time há de atestar nossa evolução em relação ao caos de domingo passado, no Maracanã. É um fato. Naturalmente, deixar a vitória escapar no último lance é desagradável, mas creio que o time possa ainda melhorar para o jogo de semana que vem. Pela frente, o Botafogo que tanto tem nos incomodado nos últimos tempos. E, inevitavelmente, só a vitória nos interessa. Só a vitória.


paulo-roberto andel

Tuesday, June 02, 2009

FLUMINENSE 1 X 4 SANTOS

Debacle (28/05/2009)

Caros amigos, hoje é quinta-feira e somente agora venho falar do jogo de domingo. Segui minha intuição. O que aconteceu no Maracanã entre Fluminense e Santos não foi apenas um jogo no dia sagrado, mas sim uma partida que começou antes – segundos após o empate que nos tirou da Copa do Brasil – e que terminou bem depois do apito de Vuaden. Foi uma goleada. Foi uma hecatombe, prorrogada por dias, até o lamentável incidente ocorrido nas Laranjeiras envolvendo jogadores, torcedores e um suposto amigo do goleiro Fernando, armado e que disparou um tiro para o alto.

Quem viu o jogo de domingo em seu primeiro tempo, viu na maior parte do tempo um Fluminense com boa performance: marcava, corria e atacava. Há quem diga que Mariano tenha feito o gol praticamente sem querer, no começo da partida, ao chutar quando se desequilibrava; reconheço que o lateral não tem na habilidade o seu forte, mas o fato é que estava na área no momento certo e carimbou a rede. Era uma apresentação tranqüila, com até mais torcedores que eu esperaria devido à eliminação da quarta-feira anterior. Perdemos várias oportunidades de aumentar o marcador.

E então veio o gol do Santos.

Um frango. Um erro crasso de Fernando, em sua já conhecida deficiência de posicionamento nas cobranças de falta. Molina empatou o jogo, a sete minutos do intervalo.

O time do Fluminense sentiu o golpe e se descontrolou por completo. Quando voltou a campo, nem parecia uma equipe treinada por um profissional do garbo de Carlos Alberto Parreira. Tornou-se um bando inconseqüente, presa facílima para qualquer adversário que fosse – e, ali, o oponente não era um qualquer, mas o tradicional Santos. E veio uma goleada incontestável. Houve a expulsão de Dieguinho, errada a meu ver, que naturalmente atrapalhou um time já desnorteado; mais à frente, novo cartão vermelho para o inacreditável Ratinho. Ora, se um time enfrenta outro de igual para igual, jogando mal, já encontra dificuldades de um bom resultado, imagine aquele mesmo time, jogando pessimamente e com dois jogadores a menos? Batata. Contudo, cabe ressaltar que as expulsões só acentuaram o placar, pois a derrota, até mesmo para os mais fanáticos torcedores presentes, era questão de contar os minutos após a virada dos santistas, num tipo de gol que tem se repetido incessantemente contra nossa defesa: a insólita tentativa de se fazer a linha de impedimento com jogadores mais pesados e desatentos. Deu errado nos dois jogos contra o Corinthians e deu errado novamente contra o Santos.

Perder faz parte do processo natural do futebol, sem dúvida. O que a torcida do Fluminense não aceitou, de forma alguma, foi como isso aconteceu. Pela desordem do time, os jogadores ficam mal-espaçados em campo; então, o cansaço sempre vem antes da hora. Com um a menos, aconteceu que o Santos passeou em campo com toda velocidade e autoridade, enquanto o Fluminense, atônito, praticamente apenas observava. Poderia ter sido pior, se a promessa Neymar estivesse em campo além dos minutos finais da partida, com tudo já decidido. Naquela partida, parecíamos em campo uma equipe modesta, de preliminar, e não o Fluminense. Desnecessário dizer que nossa torcida, desesperada e já em tom de justificável deboche, comemorou a expulsão de Ratinho.

Três gols no segundo tempo mostram bem o que aconteceu. O último, mais uma falha de rebote do goleiro, espalmando uma bola fraca nos pés do atacante Kleber Pereira. Um vitória justíssima do Santos, por tudo o que demonstrou em campo a partir de mais uma falha gritante de Fernando – que colaborou bastante, embora não tenha sido o único responsável pela quadra peixeira.

Era possível ver nos milhares de Tricolores a desilusão pela maneira como se perdeu. E compreensível. Tudo descambou para o pior, quando um grupo organizado adentrou Álvaro Chaves para satisfações com a torcida, dois dias depois da derrota. Houve atos de violência, indesejáveis e inaceitáveis, que merecem rigor na apuração e punição dos responsáveis. O cume da desordem veio com um amigo de Fernando, que atirou para o alto em busca da paz no gramado. Para o homem, sempre é possível ir mais longe, entretanto; os fortes das Laranjeiras decretaram a proibição do acesso de não-sócios ao veterano estádio, berço do futebol brasileiro, como “medida de segurança”, após o acontecimento. Ora, quem disparou um tiro foi um sujeito que entrou pela porta da frente do clube, acompanhante de um jogador! Evidentemente, precisamos de um novo e moderno centro de treinamento. Agora, proibir torcedores de se aproximar do time beira o patético. Bastaria que o clube dispusesse de condições mínimas de segurança e nada de violento teria acontecido. Em suma, para curarem uma luxação, não tiveram dúvida: ampute-se o braço.

Pouparei meu tempo e meus nervos; assim, não comentarei hoje sobre o descalabro que é o atual governo do Fluminense. A melhor medida de segurança no momento passaria por uma reformulação do time, coordenada pelo grande profissional que é Parreira. Nas partidas decisivas deste ano, fomos eliminados das competições por limitações técnicas e físicas. É o que precisa mudar, imediatamente.

Vem uma dificílima partida contra o Náutico, no temível estádio dos Aflitos. Não há nome mais apropriado: será uma aflição. Ano passado, na luta contra o rebaixamento, uma vitória expressiva por três a um tirou a corda de nosso pescoço; agora é diferente, há outra situação, o campeonato ainda começa. Mas precisamos saber qual é o Fluminense que ainda teremos este ano: o que pode ir mais longe ou o que enfrentará cinco meses de agonia.


Paulo-Roberto Andel

Friday, May 22, 2009

FLUMINENSE 2 X 2 CORINTHIANS

A batalha final (21/05/2009)

Meus amigos de sempre, é com tristeza que escrevo estas linhas. A tristeza de ver o Fluminense eliminado da Copa do Brasil num Maracanã lotado. A vantagem corinthiana pesou, devido à vitória no primeiro jogo, realizado semana passada. Nossa torcida fez o velho gigante de concreto tremer como nunca. Não foi o suficiente, mas todos os que lá estiveram viram um espetáculo belíssimo das nossas arquibancadas; no campo, deixamos a desejar no primeiro tempo, reagimos no segundo e o empate, pelo jogo que foi, ficou justo. Saímos, mas pela porta da frente.

As emoções da minha partida começaram no Caçador, veterano bar da Praça Afonso Pena, entre os amigos: Leo, Antonio, Tibamar e a família Sussekind. Esperávamos uma grande vitória, mesmo sabendo da forte equipe do alvinegro paulistano. Entre o chope e as pizzas, muitos risos e a apreensão natural às vésperas de uma grande batalha. Tibamar disse: “O presidente precisa estar tenso o tempo inteiro”, Raul seguiu a frase à risca.

O entorno do Maracanã era de uma beleza só, com nossas bandeiras e camisas, nosso branco de paz, e uma multidão adentrava o sagrado estádio sem saber da beleza que a nossa gente empenharia nas arquibancadas. Todos sabem da beleza que emprestamos ao concreto do Maracanã. Todos sabem das maravilhas que lá fizemos muitas vezes. Todos sabem que, em quase sessenta anos, Mário Filho nunca viu uma festa mais bonita do que a nossa na final da Libertadores do ano passado. E, desde aquela final, nos recolhemos: não tivemos motivos para mostrar nosso melhor. Ontem, voltamos à tona. Tenho orgulho de ter vivido para ver o maravilhoso mosaico que fizemos nas arquibancadas, o maior do Brasil, o mais bonito. Uma festa de gala como incentivo ao time, que precisava de um resultado difícil, mas longe de ser impossível. Pelo menos até a bola rolar.

Quando Simon apitou o início do jogo, uma forte chuva havia caído no Maracanã. Não saberia dizer quais os prenúncios das águas do céu, mas o fato é que nosso começo foi desastroso. O Corinthians, monumental, nos bloqueou de tal forma que muitos esperavam o pior: uma goleada. Em quinze minutos, já tinham feito o resultado. Dois gols. O primeiro, numa falta bem cobrada pelo zagueiro Chicão, mas defensável – Fernando, mais uma vez, se colocou mal na cobrança e não chegou a tempo no canto direito, onde a bola entrou; além do mais, é difícil defender uma falta com os pés, que têm sido sua melhor opção. O segundo, numa entrada livre de Jorge Henrique, em falha da defesa ao usar a desgastada tática do impedimento, tocando de coxa e encobrindo nosso goleiro. Para nossa sorte, Ronaldo não esteve bem e, mais uma vez, não fez gols em jogos oficiais.

Houve o temor. Tudo parecia perdido. Não merecíamos ser goleados em festa tão bonita. Não éramos o Fluminense implacável do jogo contra o São Paulo, mas sim o da apatia contra a Gávea – um buraco no meio de campo, a trágica improvisação de Mariano na lateral-esquerda e o acúmulo de erros de Maicon no ataque. De concreto, o gol legal que Fred marcou, errada e grosseiramente anulado por Simon. É certo que o Corinthians foi infinitamente superior a nós e mereceu vencer a primeira etapa, mas é certo também que, se descêssemos para o vestiário com a desvantagem menor, as coisas poderiam ser outras.

O pior, ali, felizmente passou. Acabou a primeira etapa. Mesmo impactada pelo pésimo resultado, nossa torcida cantava.

No segundo tempo, com tudo parecendo destruído, o Fluminense veio como outro time. Parreira colocou Alan e Dieguinho, nos lugares de Maicon e Ratinho. Tomamos as rédeas do jogo, enquanto o Corinthians, até por conta da enorme vantagem, pensava em administrar o resultado. Nos quinze primeiros minutos, foi esse o desenho: atacávamos, não conseguíamos o gol, eles tocavam a bola e valorizavam a posse. Justo.

Mais cinco minutos e tudo mudou. Numa cabeçada de Alan, em rebote do goleiro Felipe, mais a única finalização certa do Neves, empatamos o jogo e o Maracanã veio abaixo. O Fluminense não tem a vocação de ser goleado. O Fluminense é o time que reage quando tudo parece destroçado pelas torrentes. O Corinthians sentiu. Ainda havia vinte minutos a cumprir, o Parque São Jorge era cansaço e as Laranjeiras voavam. A garra e o apoio da torcida incensavam o time, mas as limitações técnicas e físicas não nos permitiam ir mais à frente. Ainda assim, perdemos gols e gols: Felipe largava várias bolas, mas não aproveitávamos.

Cada um de nós via que era mais difícil a classificação, a cada minuto que passava. Mas o Maracanã ainda gritava, ainda urrava e esperava um desfecho melhor. Antes de sair, Ronaldo quase nos liquidou, mas Fernando defendeu. Com os pés. O restante do jogo se deu com o Fluminense no ataque, na pressão, mas sem maiores riscos de gol, e o Corinthians se defendendo heroicamente, merecendo a vaga.

Como cantam os Gaviões da Fiel, eles têm um bando de loucos pelo seu time. Nós também temos os nossos, e são milhares. A força da nossa torcida, subestimada por alguns, se fez presente mais do que nunca. Não nos classificamos porque, na soma dos jogos, do talento e dos resultados, o Corinthians foi melhor. Não saímos do Maracanã com a vitória desejada, mas mostramos, mais uma vez, como tantas, que a nossa torcida é a dos gigantes, é a dos leões. É a das mulheres lindas, dos rapazes educados e trabalhadores. É a torcida dos gritos incessantes, mesmo quando o time parecia à beira de tomar uma goleada.

Nós, Tricolores, perdemos em campo, com dignidade e de cabeça erguida, em cada um dos nossos corações.

Nossa torcida, belíssima, não perde para nenhuma no Sistema Solar. É incomparável. Mais uma vez, todo o Brasil viu.

Parabéns ao Parque São Jorge. Mereceram a vaga. Para ser Tricolor, uma exigência de nascença é a justiça no trato com as cousas.


Paulo-Roberto Andel, 21/05/2009

Thursday, May 14, 2009

CORINTHIANS 1 X 0 FLUMINENSE

A primeira batalha (14/05/2009)

Caros amigos, depois de uma ótima atuação no domingo passado, contra o São Paulo, o Fluminense voltou ontem a campo para o embate contra o Corinthians, time do maior artilheiro das Copas do Mundo, Ronaldo Nazário. Não repetimos o bom jogo de dias atrás e perdemos por um a zero. É um placar que nos dificulta para o jogo de volta, mas também não torna nossa classificação impossível. O Corinthians tem um grande time, mas não é superior ao do São Paulo, a quem vencemos com propriedade em nossa casa. Antes da partida, declarações do lateral alvinegro Alessandro causaram espécie: disse que o Corinthians não sentiria a pressão da torcida do Fluminense do Maracanã, no jogo de volta. Deu até a impressão que nunca havia perdido partidas para nós, desde os tempos em que era uma promessa (não-cumprida) na Gávea.

Deixo as provocações para depois. Falarei do jogo.

Assim como no domingo passado, mas não a nosso favor, o jogo mal começou e teve um gol: o corinthiano. O atacante Dentinho, em jogada rápida, entrou pela direita de nossa defesa, livre, e fuzilou diagonalmente o canto esquerdo de Fernando. Nosso goleiro, por sinal, foi um dos grandes destaques do jogo.

A impressão era a de que o Fluminense estava atônito pela simples presença de Ronaldo. Sabemos que é um craque, mas não justifica tamanho bate-cabeça; bastaria uma forte marcação atenta de dois jogadores, sem lhe dar espaço. É preciso respeitá-lo como o grande jogador que é, mas sem medos e afobações. Os erros na insólita e repetida tentativa de se fazer uma linha de impedimento quase nos custaram a desclassificação já no primeiro jogo: os alvinegros tiveram a seu favor um sem-número de chances perdidas, escanteios e, num lance, Castilho, nosso fiel ídolo, nos salvou: a bola bateu na trave direita de Fernando e correu todo o gol, sem que ninguém a empurrasse. E foi Fernando quem defendeu, com maestria, duas jogadas de primeira finalizadas pelo Fenômeno, uma em cada canto. Desta vez, muito bem o nosso goleiro. O mesmo não se pode dizer do meio de campo, que nitidamente caiu de produção defensiva em relação a domingo. Sofremos uma forte pressão, mas o jogo terminou o primeiro tempo com o escore mínimo a favor dos corinthianos. Veio o intervalo e o alívio: tempo para Parreira tentar corrigir o posicionamento do time e tentar evitar a derrota. Mudar a atitude. Fazer com que o meio de campo valorizasse a bola, sem chutões inócuos para o ataque. Conca nos fez falta; Neves, mal; Maicon, titubeante. Um a zero foi pouco, felizmente.

O Fluminense voltou para a segunda etapa sem alterações, o que até me surpreendeu; de toda forma, um detalhe fez com que o jogo se equilibrasse: o cansaço do time do Corinthians, que não conseguiria jogar o segundo tempo com a mesma pressão e velocidade que impôs na primeira etapa. Ainda assim, o Parque São Jorge teve uma excelente falta cobrada por André Santos, no cantinho direito baixo, posta para escanteio por Fernando com grande eficiência.

Então, aos pouquinhos, nosso Tricolor aumentou a combatividade no meio de campo e tornou o jogo menos desequilibrado. Tivemos uma grande oportunidade para empatar o jogo aos vinte minutos, mas o Neves perdeu o gol, chutando em cima do bom goleiro Felipe. Em seguida, o Corinthians reagiu e quase sacramentou a vitória: André Santos, recebendo passe de Ronaldo, invadiu a área pela esquerda do ataque e fuzilou, mas Fernando fez sua tradicional defesa com o pé. As coisas pareciam difíceis.

Parreira só mexeu no time para os quinze minutos finais; lançou Darío Conca e Alan para as saídas de Neves e Maicon. Deu certo. Mesmo ainda recuperando o ritmo de jogo, o argentino entrou com a sua tradicional raça aliada à técnica. E, pela primeira vez no jogo, o Fluminense tomou as rédeas da partida: o Corinthians estava cansado e tínhamos gás novo na equipe. Finalmente passamos ao ataque e deixamos de ser coadjuvantes do jogo. Quase deu certo: em dois momentos de cruzamentos, num com os pés e outro com a cabeça, Fred chegou a milímetros das bolas, quase empatando o jogo. Pena que tenha sido tarde demais. E Fernando, o grande destaque da partida, ainda fez uma defesa difícil em chute do volante Boquita, que tinha entrado justamente para frear Conca.

Corremos o risco ontem de tomar uma goleada desclassificante no primeiro tempo. Depois, equilibramos a marcação. Foi pouco para o que precisávamos, mas os quinze minutos finais trouxeram algum alento: timidamente, o Fluminense repetiu um pouco do que havia mostrado contra o São Paulo no domingo.

Apesar da vantagem matemática em termos de não ter sofrido gol em casa, engana-se quem aposta no Corinthians já classificado. Assim, como podíamos ter colhido ontem um cacho de gols em nossa rede, não é nenhum milagre fazer um gol no alvinegro e ganhar nos pênaltis. Ou fazer dois a zero. É difícil, mas é preciso que o leitor entenda uma coisa: para o Tricolor, nada é impossível de ser ganho, nada!

As cores das Laranjeiras farão o Maracanã lotado tremer semana que vem.

Talvez Alessandro se cale.

Precisamos ser o Fluminense do jogo contra o São Paulo - o Fluminense da luta, da dedicação e da força inecessante; se conseguirmos, ninguém nos tira essa classificação. O Corinthians é um time de respeito e tradição, mas também somos. Não há favorito. Estamos no páreo.


Paulo-Roberto Andel, 14/05/2009

FLUMINENSE 1 X 0 SÃO PAULO

Começar de novo (11/05/09)

Depois da decepção no campeonato carioca, mas também da expectativa nas quartas-de-final da Copa do Brasil, após o difícil empate contra o Goiás, o Tricolor estreou ontem no campeonato brasileiro, contra o poderoso São Paulo, tricampeão do certame e um dos favoritos ao título. Vencemos. Mais do que vencer, nesta partida convencemos. Foi uma estréia com pé direito, ressaltada pelo fato de que tivemos dois adversários em campo: o time paulistano e o árbitro Ricci, cuja atuação foi calamitosa e, por pouco, não interferiu no resultado. Desastres da arbitragem à parte, pela primeira vez no ano o Fluminense apresentou um conjunto de marcação impecável, de parar o adversário literalmente. Com isso, conseguimos mais uma vitória sobre o temível rival.

O Maracanã não estava cheio, tendo em vista o Dia das Mães – com o horário de quatro da tarde para o início da partida, prestigiar as matriarcas era tarefa impossível. Porém, jogo vazio do Fluminense é com quinze mil pessoas – e, destes, alguns mal tinham tomado assento nas arquibancadas e cadeiras quando o jovem Maurício fez um golaço: na direita do ataque, em frente ao bico da grande área, matou a bola e acertou um petardo que beijou o travessão, o poste direito do goleiro Bosco e ganhou as redes, em nosso primeiro ataque, aos dois minutos de jogo. Um gol maravilhoso, tal como Maurício havia feito num Fla-Flu do ano passado; mais uma vez, um tiro varando o ângulo direito da meta. E o Fluminense estava na frente, como permaneceu durante toda a partida. Mal deu tempo sequer de vaiar Júnior, Arouca e Washington, ex-jogadores de nossa casa, todos em campo pela primeira vez contra nossa camisa depois do ano passado. Como se viu no decorrer da partida, o lateral e o atacante mostraram a irregularidade costumeira, não nos ameaçando em nenhum momento; o ala, cria das Laranjeiras, parecia tímido, constrangido até. Arouca não fez uma saída boa de nossa casa, deixando a porta aberta ou saudades.

Um gol no primeiro ataque muda o panorama de qualquer jogo; ora um time encolhido pode buscar ataque, ora um time ofensivo pode se retrair. E o Fluminense tem feito suas partidas utilizando o contra-ataque como arma; assim foi. A batalha de meio-campo era nossa: depois do golaço, Maurício ganhou confiança e foi soberano em todas as disputadas de bola, assim como Wellington, que parece ter melhorado em muito sua condição física: cobria todo lado, corria como um leão. O São Paulo, por conta da nossa marcação adiantada, não conseguia ligar meio de campo e ataque; nas réplicas, éramos mais perigosos – eles não estavam bem. Em duas jogadas, praticamente comemoramos: na primeira, um bate rebate na área, a bola no alto sobrou para Edcarlos, livre, que chutou de primeira por baixo de Bosco, mas Richarlyson tirou em cima da linha já com o goleiro batido; na segunda, um gol legal, legalíssimo, feito numa cabeçada de Maicon, terrivelmente anulado pelo bandeira – desastroso coadjuvante na arbitragem desta partida. Atrás, a defesa estava segura, Mariano tinha muita raça e até mesmo o oscilante jovem João Paulo acertava algumas jogadas.

Terminou o primeiro tempo, onde fomos amplamente superiores e estivemos mais perto do segundo tento do que de sofrer o empate.

Na segunda etapa, continuou a nossa incessante marcação e também a relativa apatia do São Paulo; até metade do segundo tempo, as coordenadas do jogo foram todas nossas. Quem visse com desatenção, poderia até pensar que tínhamos um jogador a mais em campo, tamanha a superioridade nas divididas. O Fluminense valorizava a posse de bola a cada momento, bem ao estilo tradicional de Carlos Alberto Parreira, o que criou enormes dificuldades para o tricampeão do Morumbi. Na parte final é que corremos algum risco: Fernando fez uma grande defesa em chute de Borges num lance, e praticamente defendeu sem ver o segundo – a bola resvalou em seu traseiro e parou no chão. Sem maior importância dos meios, foram duas intervenções que garantiram a vantagem no marcador. Depois de um ritmo incessante, naturalmente nosso time cansou, com as alterações feitas a partir da meia-hora final de partida. Talvez Maicon e Neves pudessem ter saído antes. Mas a vitória foi assegurada.

O São Paulo à frente outra vez. A estranheza de ver nossos jogadores com a camisa adversária. O novo começo de campeonato. Tudo, valorizado pela garra de nossa atuação, brindada com uma vitória justa sobre uma poderosa equipe, e que serve de ânimo para a verdadeira batalha que será promovida quarta-feira, contra o também poderoso Corinthians.

Não sei dizer se, por algum momento, Júnior, Washington e Arouca sentiram saudade da nossa camisa. Sei apenas que saíram porque quiseram e, hoje, o que lhes cabe é a derrota.

É o começo, é a primeira rodada. De toda forma, nem que por um instante, estamos na frente. E a atuação de hoje é encorajadora para todo o restante desta temporada: se repetir regularmente o entusiasmo em campo de ontem, e caprichando um pouco mais nas finalizações, o Fluminense, contra a vontade de toda a imprensa calhorda, passa a ser um dos times que podem despontar no campeonato brasileiro. Temos time para vencer os tricampeões, não é uma hipótese: na prática, um fato.

Uma coisa de cada vez. Mais uma decisão depois de amanhã.



Paulo-Roberto Andel, 11/05/2009

Friday, May 11, 2007

O grande campeão

Amigos, depois de longa jornada, finalmente o campeão do Rio recebeu os louros. A massa flamenga está de pé pelas ruas, bares, alamedas; pelos telhados e coletivos; na chuva ou no sol. Campeões.

Quando se pensa num melhor futebol jogado pelo Botafogo em boa parte do certa, como tudo em futebol, pensa-se questionar a conquista. Nesse caso, entretanto, fica mais difícil. O próprio Flamengo chegou à final do certame pela conquista da Taça da Guanabara, e entrou meio que de “araque” – goleados pelo Madureira, em tarde impiedosa de Marcelo, os da Gávea tiveram o favorecimento pela derrota do Botafogo para o Boavista. E então? Quem falhou mais?

O Botafogo apresentou um bonito futebol na Taça do Rio. Parecia que ia arrancar para o título. Contudo, a muralha de vermelho e preto brecou caminho.

No domingo passado, um detalhe selou o empate, quando da expulsão do jovem goleiro Júlio César. O Botafogo era muito superior, perdeu as rédeas da partida e não seria injusto se o Flamengo tivesse virado o jogo. Quem falhou mais?

Foi um grande jogo, o de ontem. Mesmo com limitações e sem jogadas de brilho intenso, a disposição dos dois leões era uma enormidade. Um primeiro tempo de idas e vindas, com chances para ambos os times. Ainda assim, o primeiro tempo foi de ôxo. O Botafogo, tenso pela oportunidade que teve de liquidar a competição na primeira partida; o Flamengo, sentindo o peso da derrota de três tentos para o uruguaio Defensor, no meio de semana. Os dois, naturalmente, muito preocupados um com o outro.

Quando veio o intervalo, Alexis Cuca Stival, o coach alvinegro, inovou: ficou com seu plantel no banco de reservas, em vez de tomar direção do túnel. Tinha a intenção de manter o time aceso com a chama da proximidade dos torcedores botafoguenses. O Flamengo desceu sereno.

E veio o segundo tempo. Arrebatador. Empolgante, talvez, como somente duas outras segundas etapas em muitos anos no Rio: a dos históricos confrontos entre Flamengo e Fluminense, 1995, e Vasco contra Flamengo, 2000. Jogo de arrepiar.

Começando tudo, um gol do artilheiro Souza, quase de carrinho, atirando-se à bola feito um kamikaze, após cruzamento de Juan, aos sete minutos. Boa parte do estádio explodiu como um tiro potente de canhão. E o que se esperaria era o recuo da Gávea, coisa que não aconteceu. Ou o abalo alvinegro, coisa que também não aconteceu.

Oito minutos depois, uma das viradas sensacionais que só o estádio de Mário Filho é capaz de abrigar. O Glorioso tomou frente no marcador. Tinha empatado a peleja com um gol de cabeça do zagueiro Juninho, aos doze. Três minutos depois, um golaço de Dodô, tocando suavemente e encobrindo o excelente goleiro Bruno. Mal sabiam que, uma hora depois, teriam trocado lugar nos postos de glória e lágrimas.

O Botafogo ainda acertou o travessão de Bruno, com nova jogada de Dodô, ao passo que o Flamengo, heróico, atacava incessantemente. Aos trinta, veio a apoteose: Renato Augusto, de longe, acertou o canto médio esquerdo de Max, num petardo daqueles que levanta qualquer torcida em qualquer decisão. Um golaço, digno da galeria de um título.

O empate da Gávea não trouxe predominância para os flamengos, e a partida manteve o equilíbrio que trazia desde o primeiro apito. Lutaram e lutaram, sem maior sucesso no gol redentor. Mais quinze minutos e o Botafogo levou nova estocada: era o fim do jogo. O ataque botafoguense entrou pelo meio de área, em condição legal. Dodô tocou para o gol no canto esquerdo, após a marcação errada do auxiliar Moutinho. Imediatamente, tendo já recebido o cartão amarelo, foi expulso. Uma grande confusão se instalou no gramado, o que geraria vários minutos de acréscimo. Contudo, o árbitro Beltrami, que já vinha com certa lesão no decorrer do jogo e trotava com dificuldade, e que acompanhava os lances à distância, preferiu não correr o risco de estar longe novamente num lance polêmico – e terminou a partida um minuto depois do imbróglio.

Exasperação alvinegra, Dodô fora. Pênaltis.

Bruno pulou com maestria e defendeu o primeiro pênalti, cobrado logo por Lúcio Flávio, um dos melhores do campeonato. Voou no canto direito baixo. Em seguida, fez nova grande defesa e contou também com a sorte: desviou o chute de Juninho e a bola foi ao travessão. Foi o que bastava, aliado aos bons cobradores da Gávea, todos com precisão na hora de converter. E o último, Leonardo Moura, deu uma paradinha de longe, antes de deslocar Max e chutar a bola no canto direito, trazendo a vigésima nona taça do Rio para a Gávea.

Flamengo e Botafogo foram iguais nos três empates que tiveram durante a competição. O Flamengo não conseguiu vencer os outros tradicionais rivais durante a disputa, Vasco e Fluminense. O Flamengo nem sempre teve brilho nas partidas. Porém, no detalhe, na pequena nuance, soube ser o vencedor.
O merecido vencedor. O grande campeão.
E, aos derrotados, o ônus da lamúria.

Paulo Roberto Andel, 07/05/2007

O tropeço

Em sua trilha pela Copa do Brasil, o Tricolor encarou ontem o Atlético do Paraná. Vinte mil pessoas na expectativa, o que pode ser considerado um bom público para os dias de hoje: além do horário tardio, a má jornada de Laranjeiras no ano é um revés para o estádio lotado.

Além do caráter decisivo, enfrentar o rubro-negro sulista tem sido uma batalha de vida ou morte para o Tricolor, seja em pingue-pongue, carteado ou futebol de botão. A massa das Laranjeiras não esquece jamais das cenas lamentáveis ocorridas nos jogos de 1996 – tanto a conturbada e violenta derrota em casa quanto a vergonhosa entrega do jogo seguinte, quando os paranaenses favoreceram claramente o Criciúma e nos conduziram ao descenso. Anos depois, cá estamos nós em nova batalha.

Novamente o Tricolor apresentou um velho problema. A síndrome do gol sofrido.

Tudo corria bem, num bom jogo. Com a volta de Renato à liderança do plantel, parecia um time vibrante, guerreiro, e com um espantoso aumento médio de velocidade, até mesmo de jogadores que não têm a explosão como forte, vide o exemplo de Carlos Alberto.

Na correria, logo veio o gol. Passe de Júnior César, um excelente cruzamento do lateral Carlinhos e uma cabeçada certeira daquele que tem sido o melhor Fluminense da temporada: Thiago Silva. Ângulo esquerdo do goleiro Guilherme vazado, havia um clima de alívio: depois de tempos sem atuações convincentes, o Tricolor parecia estabilizar-se. Ainda havia muito jogo pela frente e, quando ele veio, tudo levava a crer numa vitória convincente, gols e gols sendo perdidos. Supremacia completa de Laranjeiras, ainda que o Atlético não fizesse um mau jogo – estava, sim, era completamente perdido pelo poder do adversário. Aos poucos, o match tomou ares de equilíbrio e então veio a derrocada.

Aos trinta minutos, o time paranaense empatou o jogo, num lance quase despretensioso. O lateral-esquerdo paranaense Nei desferiu um chute de longa distância, com força. A Bola ainda resvalou na defesa e tomou a direção do ângulo esquerdo. O goleiro Fernando, que não tem sido muito afeito às bolas defensáveis, nada pôde fazer para desviar o tirambaço do gol. E o mar negro tomou o Maracanã. Um silêncio enorme, oceânico. Parecia a própria eliminação. Muitos exaltaram-se e passaram a xingar Fernando até mesmo na cobrança de um tiro de meta.

O time desmoronou. Passou a errar passes de meio metro. Tudo virou impaciência. O jogo passou a ser atleticano, o que perdurou até o apito final da primeira etapa.

Na volta, o que se viu foi o Tricolor em chamas, machucado, partindo até meio que atabalhoadamente para a vitória, enquanto os paranaenses agüentavam firme na defesa, buscando esparsos contra-ataques. Por volta do primeiro terço, Rafael Man e Carlos Alberto tiveram oportunidades. Em seguida, o Atlético encaixou sua primeira resposta firme, em chute de Pedro Oldoni e defesa esperta do desacreditado Fernando. Impaciente com as más finalizações, Renato sacou o centroavante herói e inseriu Adriano, o Magrão, buscando novos ventos.

A tendência do jogo não se alterou, exceto pelo maior equilíbrio nos volumes de posse da bola: o Fluminense mais voltado para o ataque, o Atlético buscando os golpes mortais. Os ataques não prevaleceram.

Renato, desesperado com o gol sofrido em casa, que conta como desempate em caso de necessidade, e sem a vitória, buscou ofensividade máxima, substituindo Cícero e Fabinho respectivamente por Thiago e Lenny. Nenhum maior efeito.

Os dez minutos finais ficaram por conta de mais dois gols perdidos: o Tricolor, em bom chute de Alex Dias e grande defesa de Guilherme; o Atlético, num chute de Ferreira para o gol vazio, com excelente corte de cabeça de Luiz Alberto.

O fato é que, se o Fluminense fosse durante todo o jogo o mesmo time dos primeiros trinta minutos, dificilmente não venceria. Ainda assim, foi visível o aumento de certa empolgação do time.

Ao final, claramente o Atlético saiu satisfeito. Jogará em casa por um empate em zero a zero ou uma vitória simples. Novamente os de Laranjeiras estão em apuros: vencer o adversário difícil, rancoroso, em seu campo. Esse time já tirou o Bahia na Fonte Nova lotada. Pode repetir o feito. Por que não? Para o Fluminense, o céu não é limite.


Paulo Roberto Andel, 03/05/2007


Mudança de rumos

Depois de meses, finalmente começou a grande final do campeonato carioca – ou fluminense, para os que queiram corrigir. Dois times com momentos distintos na competição. Dois gigantes que, em raríssimas oportunidades, digladiaram-se pelo título estadual, embora tenham quase cinqüenta taças, quando reunidos.

Com o digno público de uma final, o Botafogo disse ao que veio e foi todo ataque, todo velocidade e toque de bola, contra um Flamengo que veio mais fechado, cauteloso. Entretanto, essa mesma cautela não serviu para deter o ímpeto botafoguense: além dos dois gols, o Alvinegro foi absoluto na primeira etapa. Caso tivesse feito quatro ou cinco, ninguém que tivesse visto o match se assustaria, tamanha a superioridade de General Severiano.

A vantagem do Botafogo, contudo, não se cristalizou de primeira mão. Inauguraram o placar apenas depois de meia hora de jogo, quando um cruzamento rasteiro e esperto de Zé Roberto encontrou Dodô livre na pequena área. Ao contrário da tradicional classe nas finalizações, o sete botafoguense não titubeou: com a chance de gol, praticamente deu um carrinho na bola para impedir a chegada do goleiro Bruno. Ressalte-se, porém, que até os carrinhos de Dodô possuem charme, possuem classe. Talvez, ao notar tantos gols perdidos, Dodô viu a necessidade de que aquela bola entrasse – e, como já dito antes, até sujou o calção pelo tento.

O Flamengo, que já vinha impactado pela completa inferioridade técnica em campo, curvou-se. Havia o temor de uma goleada. Os flamengos, apaixonados por todo o estádio, silenciavam. A cinco minutos do fim, então veio o grande golpe numa rápida cobrança de falta, Lúcio Flávio, entrando elegantemente pela intermediária e meio da área rubro-negras, deixou cinco ou seis adversários caídos até deslocar Bruno com um leve toque no canto direito e explodir a massa alvinegra, num verdadeiro golaço.

O primeiro tempo fechou com a superioridade do Botafogo, tanto no placar quanto em termos de atuação. Magnífica. Tivesse alguém que apontar o vencedor ao final, creio que cada nove entre dez fichas seriam em branco e preto. Futebol, porém, é jogo de surpresas, de idas e vindas, mudança de rumos. E os times voltaram muito diferentes para o segundo tempo.

O Botafogo, estranhamente, recuou mais do que tinha feito em jogos anteriores, e talvez mais do que havia feito durante todo o ano. O Flamengo, que tinha sido um indefeso cordeiro, presa fácil para os alvinegros, voltou como um leão ferido, de Biafra, e ganhou a intermediária adversária. O jogo virou, o Flamengo passou a dar as cartas, alguns bons ataques aconteceram.

Tudo mudou de vez aos dezessete minutos do segundo tempo. Numa jogada rápida, Renato entrou livre pela esquerda do ataque; o jovem goleiro Julio César, afoito, trocou o gol real pela chance de defesa de um pênalti, defesa que a ele não caberia: era o último homem e foi justamente expulso. Renato fuzilou o ângulo direito do reserva Max, e a Gávea descontou.

O estádio levantou vôo com o grito da massa rubro-negra, e os botafoguenses é que tomaram lugar de calados, aflitos, ao enfrentarem um adversário recuperado, veloz e atuando com um jogador a menos. O Flamengo é que passou a mandar no jogo e perder gols seguidos. Tudo pelo avesso.

Aos trinta e três, novo golpe rubro-negro, jab de esquerda. Cruzamento de Leo Lima, que tinha acabado de entrar, falha do inseguro Max e soltura de bola nos pés de Souza, que completou para o gol vazio. Decretado o empate em dois tentos.

Em seguida, confusão. Um bate-rebate, falta quase na linha central do campo, Leo Lima e Diguinho, que tinham acabado de entrar, foram devidamente expulsos. O Botafogo, já sem Lúcio Flávio e sem o seu amuleto cão de guarda, esmoreceu. Por outro lado, o Flamengo, que tinha acabado de reforçar seu ataque, para explorar a vantagem de mais um jogador, perdeu opções. Leo Lima, mais uma vez, pareceu predestinado a seguir o autor de uma jogada só: o famoso cruzamento de letra para o gol vascaíno, na final contra o Fluminense, em 2003. E, portanto, perdendo chances de firmar-se de vez no futebol, enquanto o tempo passa.

Três jogadores a menos em campo significaram muito mais espaços; contudo, o cansaço das equipes, particularmente do Flamengo, que tinha um a mais, não contribuiu para novos gols. E o jogo terminou em empate final.

Cada time teve um tempo a seu favor. Pelas circunstâncias finais, meu palpite é de que, se houvesse um vencedor, ele estaria mais próximo de ser o Flamengo. Não foi. Assim são os clássicos.

Domingo, está programada a batalha final. Ambos os times têm compromissos perigosos no meio de semana: o Botafogo encara o Atlético em Minas, pela Copa do Brasil; o Flamengo visita o uruguaio Defensor, pela Libertadores. Depois de quinta, ficam as expectativas para se conhecer o novo campeão do Rio.

Paulo Roberto Andel, 30/04/2007