Friday, July 31, 2009

PALMEIRAS 1 X 0 FLUMINENSE

Trocando as mãos pelos pés (30/07/2009)

A crise é uma realidade e a posição na tabela, desastrosa. O Tricolor padece lentamente, e precisa de reação imediata, difícil de ser vista a olho nu. Estivemos em campo ontem, contra o Palmeiras no Parque Antarctica. Mais uma derrota. Mais um revés. Contudo, o jogo não foi traduzido plenamente por seu placar final, e foi decidido basicamente em pequenos detalhes. E ao se trocar as mãos pelos pés, ao contrário do ditado popular.

Tivemos pela frente um gramado pesadíssimo por conta da chuva, além de uma equipe aplicada taticamente, não à toa no topo da tabela. E, com a chuva, é natural que os times tentem explorar a surpresa dos chutes de longe. Tivemos duas ou três chances, o Palmeiras também. Mesmo sendo uma equipe melhor do que a nossa hoje, não nos esmagou. O jogo esteve igual. E para nos, poderia ter até sido melhor se Kieza, nosso solitário atacante, tivesse com quem ao menos trocar um passe. Poderíamos até ter chegado ao gol com eficiência. Entendo a necessidade de marcação e defesa, mas seis jogadores no meio de campo resultam na nulidade do ataque – e, como somos os piores marcadores de gols do campeonato, parece evidente que esta é uma característica que precisa ser modificada. Quero destacar uma excelente finalização de Marquinho, de fora da área, no canto esquerdo baixo do goleiro pentacampeão Marcos, que fez grande esforço para colocar a bola para escanteio – desde os melhores momentos de Thiago Neves, o Fluminense tem dificuldade para dar chutes perigosos de fora da área adversária. Este, o do Marquinho, foi o momento mais perigoso do primeiro tempo. Não houve outras grandes emoções até ali, a rigor; entretanto, parecia até um sinal positivo para nós: estávamos equilibrando a peleja contra um dos times da liderança da competição. Foi um zero a zero justo; também o seria, com um gol para cada time. O charco estava superado pela metade.

Mais surpreendente ainda foi até a melhora das equipes na segunda etapa. Os times voltaram mais velozes, ao contrário do que se espera numa partida chuvosa, e isso certamente causou mais atenção aos expectadores, tanto no Parque Antarctica quanto em todo o Brasil, pela televisão.

E o Fluminense parecia crescer, meus amigos.

E, do seu jeito, com vontade e raça, finalizou uma, duas três vezes. Kieza deu um chute tão perigoso que Marcos deu um daqueles saltos como se fosse na Copa de 2002 – a bola passou a centímetros da trave esquerda. Contrariando todas as previsões, o Fluminense poderia até arriscar certa superioridade na partida. Mas era um engano crasso.

Houve um contra-ataque e nosso ex-jogador Diego Souza entrou livre pela esquerda de nossa defesa, fato praticamente habitual na situação de agora. Deu um bom chute, relativamente forte, mas nada que não pudesse ser evitado com uma boa defesa de nosso goleiro. E aí mora o problema, caros amigos: há tempos, com idas e vindas, não temos propriamente um goleiro debaixo das traves, mas um beque-equipe, tal como nas velhas peladas de rua dos anos sessenta e setenta. Um zagueiro que joga de luvas. Assim sendo, Fernando, em mais uma exótica performance, em vez de se esticar para buscar a bola, resolveu defendê-la com o pé direito. E o resultado, tal como em muitas e muitas outras vezes, foi o gol adversário. O Palmeiras abriu o marcador e o jogo encerrou ali mesmo; ainda faltava meia hora para o término da partida, uma enormidade, mas o revés sofrido justamente depois de o time mostrar melhora, ainda mais num gol evitável, acabou com a equipe. A seguir, as inócuas entradas de João Paulo e Maurício, num time já combalido fisicamente e com o peso do gramado.

Fomos trucidados por nós mesmos. Quando o time está bem, meio e defesa resolvem tudo; quando está mal, é o goleiro que tem que aparecer. E, mal como agora, não podemos contar com um goleiro que insiste em trocar as mãos pelos pés como se isso representasse uma vantagem técnica, jamais vista em oitenta anos de futebol profissional no Brasil. Ou pelo mundo.

Nada tenho contra a figura pessoal do goleiro Fernando, e nem o vejo como o único culpado pela atual situação do Fluminense. Mas, num momento como esse, é fundamental que o time possa se reerguer tendo a figura de um bom goleiro, com maturidade, que saiba reconhecer suas falhas e que trabalhe para saná-las. Além do mais, o estilo de jogo baseado no futebol de salão não é compatível com o de campo, cujas dimensões em todos os aspectos são muito maiores. É hora de se repensar isso. Boa parte da torcida, nos jogos também pensa o mesmo. E o que dizer da volta de Fernando, parado há mais de um mês por decreto? Ricardo Berna, nos últimos tempos, dava muito mais tranqüilidade à equipe.

A agonia continua. Não se pode negar que, dentro do quadro pavoroso da tabela atual, o time apresentou uma postura mais combativa nos últimos jogos. Mas isto é pouco: em 1996, não faltava raça e o rebaixamento aconteceu. Precisamos pontuar. E não podemos tomar gols com tentativas de defesas exóticas.

Nelson Rodrigues, com suas frases eternas disse “Se quiseres antever o futuro do Fluminense, olhai para o seu passado”. E o passado glorioso dos goleiros de Álvaro Chaves não foi escrito com os pés, mas sim com as mãos.

Paulo-Roberto Andel, 30/07/2009

1 comment:

Antonio Paulo said...

Falando do jogo assisti o mesmo pela TV. E com certeza não quero parecer apenas um leitor cordato. Mas achei que o justo pelo menos seria um empate.E falando em goleiros acho que não o conhecestes mestre mas ouviu falar dele com certeza" Castilhos".