Friday, February 26, 2010

VASCO 0 X 0 (6 X 5) FLUMINENSE - 13/02/2010



O fim antes da hora (14/02/2010)

Depois de uma seqüência de tiros livres da marca penal empatada em cinco, visando decidir quem seria o grande finalista da Guanabara, depois do zero a zero no tempo normal de jogo, coube ao menino Alan fazer nossa sexta cobrança. O pênalti é um sopro, uma risca, um segundo. Alan cobrou bem, tão bem como todos os nossos outros cobradores e tirou complemente o goleiro vascaíno Fernando Prass da linha da bola; porém, ela bateu no travessão e, com isso, o Fluminense mais uma vez deixou escapar uma taça que cobiça há dezessete anos. Mais uma vez nosso ímpeto bateu na trava, mas é preciso deixar claro que esse fracasso pouco ou nada tem a ver com a cobrança de Alan, embora ela possa ter sido uma pá-de-cal em nossas pretensões. As Laranjeiras devem ter sobriedade e maturidade para o enxergar de que perdemos a vaga para a final no decorrer da partida, não propriamente nos penais. Não cabe sacrificar o menino, que é bom chutador, nosso melhor de fora da área; muitos jogadores do passado que alcançaram o status de craques já passaram por isso – e, dentre eles, alguns os mais incensados pela imprensa do futebol. Aliás, a meu ver, o único erro na partida que envolveu Alan revelou-se em sua aparição tardia no gramado, uma vez que entrou no segundo tempo em lugar do também jovem Bruno Veiga: a meu ver, Alan deveria ter começado como titular, por ter mais experiência e maior entrosamento com Fred.

Falarei do nosso artilheiro maior. Se o ano passado não serviu para alcançarmos os títulos que tanto esperávamos, ao menos nos deu a salvação contra um descenso já decretado em todo o Brasil, visto com quase unanimidade: até os nossos deram o último adeus ao Fluminense que, felizmente, não se consolidou. Lutamos contra tudo e todos; a cada dia, o fascismo jornalístico que impera contra o Tricolor foi definhando, murchando, até que feneceu. A maior salvação que se tem notícia em gramados daqui. E Fred, com seus gols abençoados, foi um dos grandes responsáveis pela façanha. Então, 2009 acabou e nossas esperanças eram todas de um 2010 promissor. Começamos bem a Guanabara; entretanto, nosso time desabou no segundo tempo do Fla-Flu monumental e, até agora, não recuperou o rumo certo. E Fred se machucou. A partir de então, vencemos sem convencer, nos classificamos, mas sem um futebol brilhante. Ontem, também não fomos bem; todavia, num jogo que teve momentos opacos e alguns de brilho, é preciso considerar que, na balança, o Fluminense foi melhor, mas não soube decidir. Perdemos cinco ou seis chances claras de gol e, em todas elas, o gosto amargo de terem sido desperdiçadas por nosso jogador mais caro, valorizado e capaz de figurar numa seleção brasileira. Embora ainda jovem, Fred já disputou uma Copa do Mundo, tem grande experiência no futebol internacional e títulos. Ontem, falhou. Acontece. Vinha de recuperação física e isso também pesou. Estamos acostumados a vê-lo marcar e marcar gols, sem piedade; na decisão contra o Vasco, não deu certo. Em vários momentos, a enorme torcida de São Januário se calou diante da iminência do gol: era Fred, livre, em algum lugar da área, fuzilando Fernando Prass, sem que nenhuma bola realmente ameaçasse o gol. Na mais visível delas, o artilheiro driblou o goleiro, perdeu o tempo de bola, se jogou e acabou recebendo o cartão amarelo. Impensável em termos de Fred, mas os heróis também falham – o que não os torna menos heróis. Conca estava marcadíssimo, não tinha sua melhor performance e vinha da perda do pênalti na semana passada; Bruno Veiga tentou algumas jogadas e mostrou futuro, mas foi pouco para decidir. A verdade é que o peso da camisa de Fred é mais perigoso para os adversários, e ele não conseguiu exercitar seu melhor ofício, que é a arte do gol. Chutou de fora e de dentro da área, cobrou falta, cabeceou e nada. O dia não era dele.

Os mais sóbrios reconheceram nossa melhor performance no empate, principalmente no segundo tempo, já que o jogo na primeira etapa foi marcado por cautelas e baixo desempenho técnico; isso não quer dizer que os vascaínos também não tiveram suas chances. Na mais perigosa delas, na fase final, Elder Granja perdeu um gol feito em cabeçada defendida por Rafael. E tentávamos, tentávamos; era preciso resolver o jogo antes dos penais, onde tudo se iguala e eventuais derrotados podem se salvar. A partir de dado momento no segundo tempo, o Vasco tratou de cadenciar o jogo; parecia querer vingar os penais do outro ano, quando nós conseguimos passar, ou talvez a Guanabara de 1980. Pareciam confiantes. Eu temia que nosso talentoso Conca pudesse fracassar, por conta da outra semana. Então, os minutos finais se aproximaram e nos faltou força no ataque para tentar resolver o jogo e a vaga para a final.

Vencer o Vasco é sempre difícil para nós nos últimos tempos. Um grande time, como outros, mas que tem sido a pedra irremovível em nosso caminho; basta verificar as estatísticas. Como jogar melhor não é suficiente para vencer um jogo, o Fluminense, que não soube marcar, terminou com o empate e, então, a teórica superioridade no gramado foi zerada: decisão nos penais não tem favoritos, absolutamente nada. Claro que treinar é importante, mas, muitas vezes, um excelente cobrador nos treinos desperdiça uma vaga ou um título no chute da marca decisiva, e isso está muito longe de tirar o mérito de quem se classifica e vence. Foi o caso de são Januário: os penais foram muito bem cobrados, como os nossos e, por conta do regulamento, mereceram a vaga para a final. Na hora H, perdemos por um sopro, uma lufadinha, um rabisco, é o que contará a história. Na verdade, perdemos para nós mesmos: uma ou duas das oportunidades perdidas em campo definiriam o jogo a nosso favor. E também é preciso ligar os sinais de alerta: desde o primeiro tempo do Fla-Flu, não temos vindo bem em campo. De toda forma, um pouco mais de aplicação e sorte poderia ter nos dado a chance de decidir a taça, que teve alguns de seus melhores jogos feitos com nosso time em campo.

Numa rara vez, não foi o dia de Fred. E quando Fred não vai bem, o Fluminense sente. Perdemos uma batalha, mas não a guerra. Nosso artilheiro tem todo o crédito e prestígio possíveis, de modo que vai se recuperar da noite infeliz de ontem. Poderia ter sido agora a nossa hora da grande final, mas não aconteceu. O Fluminense está fora da Guanabara. É hora de trabalhar, porque o segundo turno não espera e a Copa do Brasil está na alça de mira. Esqueçamos definitivamente de procurar culpados: nem Alan, nem Fred. Somos um coletivo. Um time de guerreiros. O revés não nos abaterá. Hora de seguir em frente.


Paulo-Roberto Andel

1 comment:

Cristianne said...

Eu estava lá e até tirei foto com o professor da Matemática (esqueci o nome dele) que é de uma torcida do Vasco, pra mandar pra vc de zoação. Só que como foi durante o carnaval eu me enrolei e não mandei. Foi bom, pq o Vasco fez aquela vergonha contra o Botafogo. Então, eu não te zoei e vc também não me zoou.
Mas foi a primeira vez que fui ao Maraca assistir a um jogo do Vasco. Até que foi tranquilo.
EU SOBREVIVI À TORCIDA DO VASCO!!!