Wednesday, September 29, 2010

VITÓRIA 1 X 2 FLUMINENSE (26/09/2010)


O novo velho topo (27/09/2010)

Magos e adivinhos de antigamente, nunca mais. Falharam os admiradores das bolas de cristal, das cartas e dos presságios, assim como os cientistas-doutores de jornais e revistas. Junte-se a competência, a ascensão, o bom resultado e um punhado de sorte, pronto: lá está novamente o Fluminense de volta ao mesmo lugar por onde esteve na maior parte deste campeonato brasileiro: o topo da tabela. Curiosamente, os três novos campeoníssimos por decreto da imprensa esportiva falharam nesta rodada: o Botafogo obteve um empate sofrível contra o Atlético Paranaense; o Cruzeiro foi goleado pelos Santos e o poderoso Corinthians perdeu o jogo nos últimos minutos para o Internacional. Fizemos a nossa parte, vencemos o Vitória dentro do Barradão por dois a um e voltamos ao nosso topo do pódio. Não foi uma partida fácil, nunca é. Tivemos nossas falhas, mas o saldo foi positivo e, pelas circunstâncias da partida, ficou claro que o Fluminense voltou à ascensão. E não custa lembrar de que o Vitória é um dos adversários mais difíceis de serem batidos em casa – esteve invicto no Barradão durante boa parte deste ano. Para nossa felicidade, o nosso time é o que mais vence fora de casa neste campeonato.

O jogo teve panoramas bem distintos nos dois tempos. No primeiro, a partida teve bastante equilíbrio entre os times, com algumas conclusões em gol e alternância de ataques, mas não se pode dizer que nenhuma das defesas foi sufocada. O Fluminense começou melhor os primeiros minutos, mas logo o rubro-negro equilibrou as ações e fez jogo duro. Um chute perdido de Rodriguinho em cima de Viáfara, outro de Washington – esse, logo no começo após excelente cruzamento de Diogo, o pivô e o chute no canto esquerdo de Viáfara. Para nossa sorte, eles deixaram de marcar o que seria um dos gols mais bonitos de toda a competição, quando Elkeson acertou uma linda bicicleta que se avizinhou do ângulo direito de Rafael, felizmente sem a precisão exata. Um empate justo nos primeiros quarenta e cinco minutos, pouco para quer ser campeão, mas correto sobre a história da partida. Além das instruções de Muricy, era evidente que os outros resultados interessavam muito, principalmente o do Beira-Rio. Um lote de competência nossa e um pouquinho de sorte, tudo estaria a nosso favor. A criticar, apenas a desatenção de Leandro Euzébio num lance em que o veterano Schwenck cabeceou livre, encobriu Rafael, mas a bola saiu à esquerda do gol – que viria a se repetir no segundo tempo em mais de uma vez. Com Mariano em campo, raça não falta. Conca, o de sempre: sofrendo muitas faltas, sendo muito marcado, tentando várias boas jogadas. Já Carlinhos parecia um pouco dispersivo, mais para a atuação de quinta passada contra o Atlético antes de fazer o gol – depois, como bem sabemos, mostrou um show de categoria. Em alguns momentos, o jogo chegou a ser até lento; não é o que esperamos do perigioso Vitória e nem de um Fluminense candidato ao título. Como diria Cartola, numa outra inflexão, o sol nasceria.

Quando os times voltaram para o segundo tempo, não ficou pedra sobre pedra: virou um outro jogo. Os aceleradores foram pisados, as jogadas se sucederam, os goleiros trabalharam bem e mal, os gols aconteceram e foram até poucos diante do que se viu. E os craques, outrora um tanto escondidos, deram o ar da sua graça. Conca, para muitos o melhor em campo com toda justiça – literalmente comeu a bola e levou o Vitória à loucura. Eu escolheria outro jogador, e depois vou explicar a razão.

Com força total, o Fluminense abriu o marcador logo após o Vitória ter perdido um gol feito: Rodriguinho foi derrubado na área quando cortava pela direta e estava até marcado. Os rubro-negros se precipitaram. Tiro penal indicado, ninguém precisou se preocupar com a exacerbação de Washington na cobrança; quem bateu foi Conca, com força e categoria indefensáveis no canto esquerdo baixo do goleiro Lee, que havia substiuído Viáfara. Aliás, uma coisa curiosa é que Lee é fisionomicamente muito parecido com o Perseguido – e a semelhança para por aí.

Nada para o Fluminense é fácil e, depois da suada abertura do marcador, mal deu tempo de sentir alívio. Uma falta na intermediária, de frente para o gol, e a cobrança do bom volante Bida, que quse vestiu nossa camisa ano passado. Ele acertou uma bomba no canto esquerdo e Rafael teria defendido bem se tivesse utilizado as duas mãos ou talvez somente a direita, que tinha a direção do lance. Falhou, tocou somente com a esquerda, ela tomou a direção do canto contrário, o direito, pererecou, tocou na trave direita e Euzébio demorou a isolá-la. Resultado: dividiu a bola com Henrique, perdeu e o gol do Vitória aconteceu. No mesmo instante, vários repórteres de rádio e televisão utilizaram o lance para fazer galhofa de Rafael, juntando-se assim às viúvas do Perseguido; me parece um movimento de expressão muito eloqüente e, se não fosse algo bizarro, eu diria que até parece orquestrado. Não quero minimizar a falha de Rafael e nem teria sentido fazer isso: ele teve responsabilidade no gol. Mas, se pudermos considerar que é um lance de crucificação do goleiro, eu vos pergunto sinceramente: o que deveríamos ter feito no passado próximo, médio e distante com o Perseguido no gol e suas falhas monumentais? Uma coisa é certa: se tivesse sido titular ontem em vez de Rafael, o chute de Bida teria entrado direto, como de costume. O atual goleiro Tricolor tem crédito: salvou o time ano passado num dos piores momentos de sua história e perdeu a titularidade por contusão. Tem tomado gols seguidamente e precisa de muito trabalho para voltar à boa forma de 2009. Mas, assim como um diabético não corta seu refrigerante para comer um quindim, não sou eu quem vai sugerir a solução da meta Tricolor com o Perseguido. Rafael tem deixado a desejar, é fato; a diferença é que ainda se pode ter esperança de que ele se recupere, já que treina as mãos em vez dos pés.

Quando o time está em ascensão, nem um gol de falha é capaz de abalar. Demos a saída, Conca voltou a gastar seu maravilhoso futebol: um passe milimétrico na diagonal para Rodriguinho livre, dentro da área pela direita do ataque. Ele parecia um veterano: também finalizou em diagonal, mas no contrapé de Lee, com a bola morrendo mansa no canto direito. Rodriguinho manteve a sina: com a camisa Tricolor, só marcou gols contra times rubro-negros. Um gol muito comemorado tendo em vista o enorme valou que teve e poderá ter ao término deste ano. Para culminar, ai sim brilho a estrela de um craque, mesmo sem aparecer muito para a torcida: Deco. O luso-brasileiro tomou conta da partida nos vinte minutos finais, valorizando a posse de bola, puxando faltas e enervando o time do Vitória, administrando o jogo tal como outro craque muito fazia nas batalhas finais do ano passado – Fred. Conca foi o gigante do jogo, mas quem deu o suporte final para o resultado foi Deco.

Ao fim da partida, os Tricolores souberam que no Beira-Rio aconteceu um placar que é nossa marca emblemática desde 1912: 3 x 2. O Inter venceu, o Corinthians ficou para trás, a imprensa esportiva chora mais um luto. Os mais cautelosos, como o Presidente Sussekind, ainda aguardam novos resultados. Os falantes feito eu não têm outra idéia: o Tricolor voltou. De vez, assim esperamos todos nós.


Paulo-Roberto Andel

1 comment:

William Coelho Vianna said...

Acho que o Vitória só havia perdido duas partidas em casa, não tenho certeza. Vale sinalizar que Diogo iniciou a jogada do segundo gol, achando Conca, aí o resto a gente já sabe... O passe açucarado do argentino e o segundo gol do Fluzão. Que visão!

Saudações tricolores!